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Angola

População do sul de Angola enfrenta grande penúria alimentar

A situação da fome no sul de Angola, mais concretamente na província da Huila, continua a agravar as condições de vida da população camponesa.

ngola Gambos

Município angolano de Gambos

Relatos de uma crescente e iminente penúria alimentar têm vindo a ser denunciados pelo padre da Igreja Católica da Arquidiocese do Lubango, Jacinto Pio Wacussanga - uma das figuras mais empenhadas para acudir as populações vítimas das atuais circunstâncias.

Autoridades ausentes

Dürre in Huila Angola

Seca na Huíla

Os municípios angolanos de Chibia, Humpata, Gambos, Quipungo, Quilengues, Matala e Cacula são os mais afectados pelas fracas quedas pluviométricas, o imobilismo das comunidades e pelo desapossamento abusivo de terras de cultivo e de pasto. Esses são os fatores mais apontados quando se fala das razões que reforçam a degradação das condições de vida da população camponesa nessas regiões.

O agravamento da crise alimentar nessas comunidades rurais levam o Padre Pio Wacussanga a lançar constantemente um grito de socorro às autoridades angolanas e internacionais para que seja decretada estado de emergência naquela região. Segundo o padre, o cenário se deteriorou desde finais de 2012 e até hoje não há respostas dos governos às pessoas.

À DW África ele explicou que as comunidades precisam de respostas que incluam planos de desenvolvimento para aproveitar melhor a água, já que as regiões em questão têm água suficiente mas inexplorada. “O que falta é criar possibilidade às pessoas para que possam aumentar o nível de produção alimentar necessário”, complementa o padre.

Autoridades presentes

Das Stadtviertel Muvale

Município de Matala

O sacerdote da Igreja Católica diz que há centenas de pessoas, e principalmente crianças, que se encontram na linha da morte, devido à subnutrição, motivada pela fome. “Só em 2013, morreram cinco idosos no interior”. De acordo com o religioso, das pessoas que foram enfraquecendo, [por causa da situação em questão] sete são crianças.

Entretanto, o governo angolano tem estado a empreender campanhas de recolha de bens de primeira necessidade, como roupa e alimentos para ajudar a população afetada com a fome na região. Contudo, o padre diz que a iniciativa governamental é insuficiente e sugere algumas alternativas: “Há muita água disponível e uma boa parte do lençol de água está na superfície [significa que pode ser facilmente retirada]. Os furos para a obtenção dessa água custam cerca de três mil dólares. Se conseguirmos esses furos, muitos dos nossos problemas estarão resolvidos”, acredita o missionário.

Ouvir o áudio 02:37

População do sul de Angola enfrenta uma grande penúria alimentar

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