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Moçambique

População denuncia abusos das forças do Governo de Moçambique

Populares acusam tropas governamentais de incêndios e roubos. Polícia desconhece ocorrências. Estudo financiado pelo Fundo Europeu de Jornalismo de Investigação confirma testemunhos de abusos.

As Forças de Intervenção Rápida de Moçambique (FIR) “estão a vandalizar, a saquear os bens da população, a matar inocentes”, disse à DW África um dos refugiados do conflito, na província da Zambézia, centro do país.

A população “não foge por causa da tropa da RENAMO, mas por causa da tropa da FRELIMO”, acrescentou o cidadão. A polícia diz não ter conhecimento destas ocorrências.

O testemunho dos populares vai, porém, ao encontro de uma recente investigação financiada pelo Fundo Europeu para Jornalismo de Investigação (FEJI). O estudo dá conta de que as forças de defesa e segurança moçambicanas cometem crimes e violações contra populações locais, o que contraria o discurso da FRELIMO, no poder, que responsabiliza única e exclusivamente os homens da RENAMO por ataques contra a população.

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População denuncia abusos das forças do Governo de Moçambique

No entanto, dizem os investigadores, a maioria dos testemunhos recolhidos no estudo levado a cabo em Sabe, Zimpinga, Muxúnguè, Gorongosa e Morrumbala “atribuiu a autoria da violência e dos crimes às forças de segurança e defesa de Moçambique – e não aos guerrilheiros da RENAMO”.

O jornal moçambicano “A Verdade”, parceiro da DW África, publica parte da investigação que teve início em 2015, com o objectivo de confirmar no terreno os relatos de crimes e violações de direitos humanos contra a população moçambicana – alegações de execuções sumárias, violações, tortura e outros abusos de poder.


Ambiente de pânico

Um dos refugiados do conflito armado na região de Pedreira, no distrito de Mopeia, na Zambézia, contou à DW África que se deslocou a Quelimane na semana passada, tendo ficado “muito triste” porque viu a sua palhota e as dos seus vizinhos serem queimadas pela polícia porque é ali que alegadamente se escondem os guerrilheiros da RENAMO.

“O que a FIR está a fazer é uma vergonha. Incendeiam casas, levam os cabritos, milho e outros bens das pessoas e depois vão embora”, afirma o refugiado, descrevendo um ambiente de “pânico” para as famílias que vivem ao longo da estrada número 1, em Mopeia, quando há presença policial.

“Duvido que o diálogo entre o Governo e a RENAMO tenha sucesso. O Governo devia, em primeiro lugar, retirar as suas tropas que estão distribuídas nas matas e parar de atacar a população e os inocentes que não têm nada a ver com a RENAMO”, considera. A RENAMO, acrescenta o entrevistado, “faria o mesmo”.

“O líder da RENAMO não sai das matas e eu penso que é uma boa opção. Tem medo de morrer”, conclui.

Regresso às escolas

Entretanto, as autoridades de Educação no distrito de Morrumbala levam a cabo campanhas para o regresso de alunos e professores que, desde o ano passado, fugiram das escolas na localidade de Sabe por causa dos confrontos entre a polícia e homens armados da RENAMO.

Mosambik Grundschule in Sabe

Sala de aulas de uma escola primária em Sabe, distrito de Morrumbala no sul da Zambézia

No total são 17 as escolas encerradas, 101 professores e 11 mil alunos que abandonaram as aulas, segundo Farias Noé Alberto, director de Educação em Morrumbala.

“A situação continua, mas temos reunir esforços para o regresso dos alunos às salas de aulas paulatinamente”, diz Noé Alberto. “Temos que considerar que a situação do Sabe não é como a das outras regiões da província da Zambézia”.

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