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Moçambique

População de Moatize aflita com a poeira do carvão da empresa Jindal

Os habitantes de Moatize, no centro de Moçambique, alertam que a poeira do terminal de carvão da mineradora está a provocar problemas respiratórios e a contaminar alimentos. O edil promete defender as comunidades.

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Poeira do carvão é visível na louça

Os residentes do Bairro da Liberdade, na vila de Moatize, queixam-se da poluição provocada pelo terminal de carvão da mineradora indiana Jindal Africa. Trata-se de carvão mineral que é extraído em Chirondzi e transportado em camiões para o porto seco no bairro de Moatize, de onde segue de comboio para o porto da Beira.

"Estamos a passar mal", conta Arnaldo Roia, que vive há mais de uma década no bairro. As partículas do carvão que circulam pelo ar estão a contaminar os alimentos, "se moeu 20 quilos de farinha, no final tem 40 quilos por causa da poeira."

Ouvir o áudio 02:25

População de Moatize aflita com a poeira do carvão da empresa Jindal

Isabel Joaquim, outra moradora, diz que, nos últimos três anos, a sua vida mudou com a instalação do porto seco da mineradora indiana no bairro. "Antes não era assim, não havia estas confusões. Só agora quando surgiu a Jindal."

Almira André, mãe de duas filhas, conta que a filha mais nova está com problemas respiratórios. "À noite, ela não dorme, está sempre com tosse."

Um estudo realizado recentemente pela Ação Académica para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais (ADECRU) indica que, na vila de Moatize, 30 mil pessoas estão em risco de contrair doenças respiratórias devido à poluição provocada pela Jindal Africa.

O município diz que, ao todo, quatro bairros estão a sofrer os efeitos diretos das poeiras: Liberdade, Bagamoyo, 1º de Maio e Chipanga 4.

Para os residentes do Bairro da Liberdade Arnaldo Roia, Isabel Joaquim e Almira André, só há uma solução: é preciso que a Jindal Africa abandone o local.

"Guerra sem tréguas"

O edil da vila municipal de Moatize, Carlos Portimão, está preocupado com a situação e declara uma "guerra sem tréguas" contra a mineradora indiana. Em primeiro lugar está a saúde das comunidades, afirma.

Mosambik - Luftverschmutzung durch Kohlestaub

Carlos Portimão, edil de Moatize, promete uma "guerra sem tréguas"

"Nunca vamos deixar de denunciar aquilo que está errado. Precisamos de travar esta luta até vencer."

Portimão diz ainda que a sua edilidade vai usar todos os instrumentos legais para defender as populações. Segundo o edil, o local onde funciona o terminal da Jindal foi, até ao final da década de 80, um parque automóvel da extinta empresa carbonífera de Moçambique (CARBOMOC) e não é apropriado para a instalação de um terminal de carvão.

A DW contactou a direção da indiana Jindal Africa, na cidade de Tete, que, sem aceitar gravar entrevista, revelou que está em ação o processo de colocação de uma rede de proteção ao longo do terminal para reduzir os impactos da poluição nas comunidades.

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