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Internacional

Pode a Guiné Equatorial limpar a sua imagem com a realização do CAN 2015?

Guiné Equatorial continua a ser muito criticada por várias organizações de defesa dos direitos humanos pelo desrespeito dos direitos elementares dos cidadãos.

A Guiné Equatorial vai acolher o Campeonato Africano das Nações (CAN) 2015, depois da desistência de Marrocos, que queria um adiamento, temendo a epidemia de ébola que afeta a África Ocidental. A dois meses do evento, colocar de pé uma grande competição internacional promete ser um enorme desafio. Mas esta não é a única preocupação apontada pelas vozes críticas à Guiné Equatorial, governada com mão de ferro por Teodoro Obiang desde 1979 - o regime tentará também limpar a sua imagem.

"O Presidente Obiang está sempre pronto a ficar sob a luz do palco", diz Vítor Nogueira, presidente da Amnistia Internacional Portugal.

Präsident Teodoro Obiang

Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang

"A Guiné Equatorial procura investir fortemente na sua imagem pública internacional. Perante um país tão isolado, a propaganda é, de facto, uma marca distintiva deste regime. Lembro a questão da adesão à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): não sendo um país de língua portuguesa, as razões do petróleo favoreceram o encontro para que o país pudesse aderir."

Nas palavras de João Paulo Batalha, diretor executivo da Transparência e Integridade – Associação Cívica (TIAC), "para a Guiné Equatorial e regimes de natureza semelhante, estas organizações são sempre uma boa oportunidade para fazer algum marketing político".

"É triste que as autoridades do futebol africano se prestem a fazer esse trabalho de limpeza da imagem da Guiné Equatorial e daquele regime", afirma o ativista. "Infelizmente, manobras desta natureza e outras - como, recentemente, a entrada do país na CPLP - têm tido sucesso e acolhimento junto não só de outros países africanos, mas de outros países a nível internacional, em troca, muitas vezes, de facilidades que são dadas a empresários destes países estrangeiros, que beneficiam também da riqueza da Guiné Equatorial."

Alertar a opinião pública internacional para os problemas do regime

Para João Paulo Batalha, da TIAC, é uma obrigação das ONG e associações nacionais e internacionais usar estes eventos para chamar a atenção de governantes e cúmplices dos negócios com a Guiné Equatorial para os problemas do regime.

João Paulo Batalha

João Paulo Batalha

"Há sempre uma esperança, embora ténue, de que estes eventos, que trazem para a Guiné Equatorial atletas, público e pessoas de outros países, reforcem um pouco a capacidade dos ativistas, de dentro e fora do país, trabalharem em conjunto para não só denunciarem problemas de corrupção e direitos humanos – que são endémicos naquele país – mas também criar massa crítica e força para começar a tentar reverter essa situação deplorável."

Também Vítor Nogueira aponta este aspeto positivo na realização do CAN na Guiné Equatorial. Sobretudo porque, segundo o presidente da Amnistia em Portugal, "é inegável que a situação da Guiné Equatorial, do ponto de vista dos direitos humanos "é muito grave".

Homicídios políticos, tortura e liberdade de imprensa inexistente são apenas alguns dos exemplos de problemas apontados por Nogueira.

"É sempre bom aproveitar estas ocasiões para denunciar o que se passa no terreno e para procurar influenciar medidas positivas nesta matéria. Podemos sempre esperar tudo. Mas é natural que a demagogia do regime possa cair bem junto da comunidade internacional", refere o responsável da Amnistia. "Vamos ver, estaremos atentos ao que possa acontecer."

Ouvir o áudio 03:15

Pode a Guiné Equatorial limpar a sua imagem com a realização do CAN 2015?

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