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Moçambique

Pesca excessiva de tubarão em Moçambique prejudica ecossistema marinho

Moçambique é um dos principais pontos de pesca de barbatanas de tubarão no mundo. A procura da barbatana é tão lucrativa que está a reduzir o número de tubarões existentes, criando desequilíbrio no ecossistema marinho.

A ONG internacional Shark Savers tem exercido pressão para que se acabe com o consumo de um dos pratos mais apreciados na restuaração chinesa, a sopa de barbatana de tubarão, através de campanhas de sensibilização entre a população. Um prato de sopa desta iguaria pode custar mais de 60 euros.

Desde 2012, os governos da China e Malásia, dois dos quatro maiores consumidores deste produto, baniram de todas as cerimónias oficiais a sopa de barbatana de tubarão. “A medida contribuiu para uma diminuição na procura pelas barbatanas”, confirma o diretor regional de Hong Kong da Shark Savers, John Lu, através de um relatório divulgado pelo governo chinês.

O documento mostra que a baixa verificada na comercialização de tubarão está entre os 70% e 80%. John Lu refere que “65% da população parou de consumir barbatana de tubarão por causa da campanha com o nome “I´m finished with fins” (parei com as barbatanas).

Hai-Finning in Mosambik Sharkproject International e.V.

Pescador moçambicano com barbatanas de tubarão

John Lu conta como é difícil diminuir o consumo desta iguaria que se tornou insustentável: “Estamos a lutar contra um prato muito típico na China, a sopa de barbatana de tubarão que tem presença obrigatória em casamentos e banquetes. "O consumo desta sopa é uma tradição chinesa milenar.

Tradicionalmente os tubarões são pescados em Taiwan, Hong Kong e China mas quando “esse recurso se esgota, os pescadores e os comerciantes vão para outros locais” refere. Segundo o ativista “os principais pontos de pesca atuais do mundo são a Malásia, a Costa Rica e África onde Moçambique está incluído” revela John Lu, diretor regional da Shark Savers ao telefone com a DW África desde Hong Kong.

Exportar barbatanas de tubarão é ilegal em Moçambique

Ouvir o áudio 04:06

Pesca excessiva de tubarão em Moçambique prejudica ecossistema marinho

Em Moçambique a pesca de tubarão tradicionalmente teve níveis baixos. Em geral, os tubarões eram capturados como “pesca acidental” e consumidos localmente. Mas desde alguns anos para cá começaram a surgir compradores de barbatanas vindos de outras partes, aumentando a pressão na captura do tubarão especialmente porque é dez vezes mais rentável do que qualquer outro tipo de pescado.

O professor Almeida Guissamulo, investigador da fauna marinha na Universidade Eduardo Mondlane refere que “os pescadores capturam o tubarão e conservam-no à espera que algum comerciante itinerante apareça no momento e no local adequado para o exportar clandestinamente.”

Guissamulo confirma que Moçambique “não admite a saída de barbatana de tubarão, por isso há exportação ilegal”, conclui o investigador.

A legislação existente é muito vaga. Alice Costa, consultora ambiental da organização Traffic adianta que está a trabalhar em conjunto com o Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas “para desenvolver um regulamento específico para a pesca do tubarão, que vai ditar quais as espécies protegidas e qual o stock de tubarão existente em Moçambique”. A ambientalista confirma que “não há nenhuma lei que proíba a pesca do tubarão. A única espécie protegida e que está a ser regulamentada é o tubarão branco”.

Hai-Finning in Mosambik Sharkproject International e.V.

Barbatanas de tubarão confiscadas

Ecossistema em perigo

Os impactos ambientais, da pesca excessiva de tubarões, são muito negativos porque “os tubarões jogam um papel muito importante no ecossistema. São predadores de topo e eliminando-os pode -se desequilibrar completamente o ecossistema” conclui Alice Costa.
Portanto, se os pescadores procuraram ganhos rápidos com a captura de tubarões arriscam a perder a médio e longo prazo com os danos que estão a causar, hoje em dia, ao ecossistema marinho.

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