1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

NOTÍCIAS

Perspetivas sombrias para a República Centro-Africana

Vai ser lançada mais uma tentativa de pôr cobro aos conflitos na República Centro-Africana. A esperança é que se trate de um primeiro passo no sentindo de uma paz duradoira no país.

Para o conseguir, representantes das milícias inimigas séléka e anti-balaca daquele país, vão encontrar-se na capital da República democrática do Congo, Brazzaville, a partir de segunda-feira, 21 de julho.

Mas, ao que tudo indica, o desejo não vai passar de teoria. Assim que foi marcado o local do encontro, representantes da sociedade civil da República Centro-Africana começaram a ameaçar com um boicote das negociações. Numa declaração conjunta assinada por líderes políticos e religiosos constata-se ser "inaceitável" que os problemas do país sejam solucionados em Brazzaville.

Violência e atrocidades

Zentralafrikanische Republik

O número de deslocados e refugiados supera o milhão

E também a milícia séléka ameaça levantar problemas com uma localidade extraterritorial para as negociações. No sábado, 12 de Julho, Michel Djotodia foi reeleito líder da organização. Trata-se do responsável pelo golpe de estado que derrubou o então Presidente François Bozizé em Março de 2013 e se auto-proclamou chefe do Estado, desencadeando uma onda de caos e violência no país.

Uma consequência foi a formação das chamadas milícias anti-balaka, maioritariamente cristãs, responsáveis por atrocidades cometidas contra contra muçulmanos.

Em dezembro de 2013, mediadores do Chade forçaram a demissão de Djotodia, que se exilou no Benine. O ex-golpista não foi convidado a participar nas negociações em Brazzaville. E o seu vice, igualmente recém-eleito, não pode viajar por ser abrangido pelas sanções impostas pelas Nações Unidas. Para já, a milícia promete enviar outros representantes.

Muitos pequenos acordos de paz

Mas mesmo que seja possível chegar a um acordo em Brazzaville, paras as pessoas na República Centro-Africana, pouco ou nada vai mudar, acredita Andreas Mehler, diretor do Instituto dos estudos Africanos GIGA em Hamburgo, que acrescenta: "Nenhum dos lados do conflito é representado por uma organização

Zentralafrikanische Republik Zerstörungen in Bangui Moschee

Uma mesquita destruida, na capital, Bangui

estruturada e com hierarquias reconhecíveis, que possa dar ordens que depois sejam cumpridas. Seria talvez mais adequado tentar uma série de pequenos acordos de paz nas diversas regiões, a par de acções de desarmamento a grande escala".

Para Mehler, um acordo de paz geral em Brazzaville terá apenas um significado formal para mandatos de tropas de paz internacionais ou projectos de desenvolvimento.

O país precisa de ajuda

A verdade é que o país necessita com urgência de ajudas. Segundo as Nações Unidas, (ONU), a quase totalidade dos 4,6 milhões de habitantes depende de assistência humanitária. Desde dezembro de 2012, já morreram vários milhares de pessoas e os refugiados atingiram o milhão. A organização de defesa dos Direitos Humanos, Human Rights Watch, receia que a violência se alastre par o leste e abranja novas regiões, diz o delegado da representação francesa, Jean-Marie Fardeau, que realça: "As atrocidades são cometidas em aldeias remotas, onde não chegam as tropas internacionais".

Ouvir o áudio 03:19

Perspetivas sombrias para a República Centro-Africana

Este ativista deposita as suas esperanças nos 12 000 capacetes azuis das Nações Unidas, que em setembro deverão substituir as cerca de 6500 tropas de paz africanas. A França mantém 2000 soldados no terreno, onde estão estacionados outros 700 efetivos europeus da ONU. Mas o analista do GIGA, Mehler, adverte que a violência na República Centro-Africana tem que ser travada, de outra forma ela terá consequências nefastas para toda a região.

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados