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Meio Ambiente

Parque no Congo é o mais perigoso do mundo para guardas-florestais

Nas últimas duas décadas, 140 guardas-florestais foram assassinados no Parque Nacional de Virunga (RDC). É onde há mais de 20 anos, grupos lutam pelo poder e pelo acesso aos recursos naturais da região.

Kongo Nyaragongo Vulkan im Nationalpark (DW/S. Schlindwein)

Vulcão Nyiragongo, na República Democrática do Congo

O cheiro de enxofre, que toma conta do ar, não incomoda o guarda-florestal congolês Patrick Saroti – a 3469 metros de altura. Muito menos o frio ou o nevoeiro que cobre o cume do vulcão Nyiragongo, na República Democrática do Congo.

Saroti, de 25 anos, é guarda há dois e sobe ao topo do vulcão com o colega Deogracias Matemane para acompanhar turistas. Os guardas-florestais são dois dos 600 que trabalham no Parque Nacional de Virunga. O trabalho é de risco. Mais de 140 deles foram mortos nas últimas duas décadas. "Claro que é perigoso. Você sabe que há grupos armados entrincheirados no parque. Mas não podemos desistir de nossa profissão apesar dos riscos. Precisamos defender o Virunga", diz Deogracias Matame.

Ameaças

Os inimigos não são somente as milícias dos grupos armados. Também, caçadores e lenhadores ilegais. Eles não querem que os guardas-florestais atrapalhem os negócios: o contrabando de marfim, de filhotes de gorilas e chimpanzés – até a derrubada de árvores para fazer carvão. Mas Matemane fala que as armas, por aqui, são mera precaução. "Nesta área, não há mais problemas. Aqui conseguimos acabar com os milicianos", sustenta.

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Parque no Congo é o mais perigoso do mundo para guardas-florestais

Apesar do perigo existente no parque, o processo de seleção para se tornar um guarda-florestal é disputado por milhares de candidatos para cerca de cem vagas. Saroti, que já entrou em combate com caçadores duas vezes, reconhece o risco, mas alega que não há trabalho no Congo, "não dá para escolher", diz ele.

Apoio familiar

Patrick Saroti recebe o apoio da esposa."Ela tem orgulho da minha profissão e, geralmente, é ela que me encoraja a seguir em frente. Ela diz que não é vergonhoso morrer pelo país", declara Saroti, que tem dois filhos pequenos.

O colega Deogracias Matemane, com dois filhos também, é outro que trabalha apoiado pela esposa. "Ela que me fez pensar em me tornar um guarda-florestal. Estava desempregado", comenta Matemane.

Em comum, os dois têm a determinação de manter a riqueza natural do Parque Nacional de Virunga. E estão dispostos até a entrar à triste estatística que faz do parque o mais perigoso do mundo para um guarda-florestal. "Claro que contamos com combate a qualquer hora. Caso morra em um deles, é o desejo de Deus", defende Matemane.

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