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Cabo Verde

Para Amílcar Cabral, a educação era a principal arma da libertação

Assinala-se nesta terça-feira, 20 de janeiro, o 42º aniversário da morte de Amílcar Cabral, "pai" das independências da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Para ele, a educação estava na base do poder de um povo.

Durante a luta armada de libertação desencadeada contra o colonialismo português, a formação de quadros foi sempre uma preocupação para o dirigente do Partido para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), Amílcar Cabral. Em causa estava a preparação dos homens que, no futuro, iriam conduzir os destinos dos dois países.

Os ideais de Cabral neste capítulo despertaram a atenção da historiadora Sónia Vaz Borges. A académica luso-caboverdiana aprofundou o seu conhecimento sobre a estratégia educativa do líder guineense ao ler os seus dois volumes "Unidade e Luta".

Porträt Sonia Vaz Borges

Académica luso-caboverdiana, Sónia Borges

"Amílcar Cabral tem uma frase que é muito importante: 'aquele que sabe ensina àquele que não sabe'. Ou seja, há uma transferência do conhecimento, algo que aconteceu durante toda a luta de libertação", diz Sónia Borges.

A formação do "homem novo" era considerada um instrumento importante de luta pela independência durante o difícil período da guerra colonial.

Aprende-se pouco sobre Cabral nas escolas portuguesas

Sónia Borges, mestre em História de África pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, ainda se lembra da primeira imagem que viu de Amílcar Cabral. Foi numa aula do 12º ano, em Portugal. No livro de História, as referências ao líder do PAIGC eram poucas.

"Havia apenas uma fotografia de Amílcar Cabral nas margens do livro, na parte em que se abordava a guerra colonial", conta.

Lilica Boal

Escola-Piloto do PAIGC em Conacri, 1965

Três anos depois da licenciatura, a historiadora decidiu aprofundar o seu conhecimento sobre o "pai" das independências da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.

"No final da licenciatura, o trabalho que apresentei foi o impacto do pensamento de Amílcar Cabral para o 25 de Abril de 1974. E o meu professor disse-me que isso não fazia parte da História de Portugal. Eu insisti e continuei a estudar este tema". Sónia Borges interessou-se em particular pela aposta do PAIGC na educação.

"Falamos sempre na educação colonial, mas nunca falamos do outro verso, de quem tentou lutar contra esta educação colonial proposta pelo Governo", diz.

Sónia Borges está a viver na capital alemã, Berlim, a preparar a sua tese de doutoramento sobre História da Educação, centrado precisamente no tema “A luta de libertação enquanto prática educativa no PAIGC entre 1956-1974”.

Ouvir o áudio 04:15

Para Amílcar Cabral, a educação era a principal arma da libertação

"Optei por falar sobre a luta de libertação, não enquanto guerrilha ou espaço diplomático, mas enquanto espaço educativo", afirma a investigadora. "Resolvi utilizar o exemplo do PAIGC para desenvolver um pouco sobre estas estratégias de contra-escola."

Sónia Borges deverá apresentar a tese em finais de 2016.

Breve biografia

Amílcar Cabral formou-se em Lisboa como engenheiro agrónomo, tendo igualmente frequentado a Casa dos Estudantes do Império nos anos da ditadura em Portugal, onde conheceu outros jovens das então colónias portuguesas em África, que mais tarde se tornariam, como ele, dirigentes dos movimentos nacionalistas que lutaram pelas independências dos seus países.

O líder da luta armada dos povos da Guiné-Bissau e Cabo Verde foi assassinado a 20 de janeiro de 1973, na vizinha Guiné-Conacri. A sua morte suscitou teses diferentes sobre os verdadeiros responsáveis: se a PIDE/DGS ou os seus companheiros do PAIGC.

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