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Moçambique

"Pantera Negra" no Panteão Nacional português

O corpo de Eusébio foi nesta sexta-feira (03.07) transladado para o Panteão Nacional, em Lisboa. Milhares de pessoas acompanharam a cerimónia do futebolista nascido em Moçambique, que trouxe alegria aos portugueses.

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Estátua de Eusébio no Estádio da Luz, Lisboa

A data de 3 de julho de 2015 também fica registada na história do futebol português. Pela primeira vez, um africano negro transformado “Rei” pelos seus feitos ocupa um lugar no Panteão Nacional, antes apenas reservado a altas figuras da vida política portuguesa.

A transladação do corpo de Eusébio para a Igreja de Santa Engrácia, na freguesia de São Vicente, trouxe a multidão às ruas de Lisboa, à semelhança do seu funeral a 6 de janeiro do ano passado.

Entre populares, adeptos do futebol, familiares e amigos que acompanharam o “Pantera Negra” até ao Panteão estavam Vieira Dias, antigo jogador do Benfica, que também foi seu adversário na CUF. À DW, recordou muitas histórias sobre o Eusébio, considerado o melhor jogador da história do futebol português que ele tinha levado pela primeira vez a Angola independente numa grande caravana desportiva."

Lissabon - National Pantheon

Panteão Nacional, em Lisboa

Vieira Dias conta: "E fiquei feliz, porque realmente fui eu que levei o Eusébio para África independente. É evidente que Eusébio fez jogos, visitou a terra do pai, Malanje, regressamos a Portugal. E quando a gente regressa, uma semana depois Eusébio recebe um convite para ir a Moçambique."

Eusébio, figura de patamar mundial, fará sempre parte das suas memórias: "Ah, sempre na minha memória. Quando me lembro do Eusébio fico comovido, mesmo. E digo mais, quando a Flora ligou para mim a pedir a minha morada [para me enviar o convite para a cerimónia] eu fiquei emocionado."

António Caldeirinha, outro amigo de longa data e seu motorista particular nos últimos dois anos da sua vida, também exalta os feitos e a grandeza do ex-atacante.

"Eu quando falo dele fico sempre um bocado emocionado, porque foram muitos anos. Passei bons, bons momentos com ele. O Eusébio é imortal, nunca ninguém se vai esquecer dele e muito menos aqueles que lidavam com ele todos os dias. Porque homens como ele são os homnes que fazem um país."

Flora Ferreira

Flora Ferreira (esq.), viúva de Eusébio, e a filha

Portugueses consideram justo o Panteão para Eusébio

A cerimónia de transladação começou por volta das 15 horas de Lisboa, no cemitério do Lumiar, seguido de uma missa no seminário da Luz. A urna com os restos mortais de Eusébio da Silva Ferreira fez uma paragem no Estádio do Benfica, percorrendo depois algumas das principais avenidas da capital até ao Marquês do Pombal, dando uma volta ao Parque Eduardo VII.

Passou pela Federação Portuguesa de Futebol e pelo Parlamento, e seguiu pela zona ribeirinha até ao Campo de Santa Clara, onde fica o Panteão Nacional.

Um residente do bairro não escondeu o seu reconhecimento à decisão do Parlamento português: "Eu acho que é ótimo, porque ele foi admirado por toda a gente .Toda a gente teve admiração pelo que ele fez pelo nosso país e não só. Acho uma ótima ideia ele vir para aqui."

E é também com humildade, como reafirmaram várias personalidades, que Eusébio repousará definitivamente no Panteão Nacional, ao lado de figuras ilustres como a fadista Amália Rodrigues e a escritora Sophia de Mello Breyner, entre outras que fazem parte da História de Portugal.

Mosambik Mafala Geburtshaus Eusebio

Casa onde Eusébio nasceu, no bairro da Mafala, Maputo, Moçambique

E o reconhecimento das autoridades moçambicanas?

O presidente da Federação Moçambicana de Futebol defendeu esta sexta-feira (03.06) em declarações à USA, que Eusébio, deveria ter uma estátua ou o nome de uma rua em Maputo.

Feisal Sidat considera "justo e oportuno" dar-lhe "um lugar digno" e lamenta que o Governo moçambicano não tenha ainda prestado a devida homenagem à antiga estrela do futebol mundial que nasceu na então Lourenço Marques.

Eusébio, recorda o presidente da Federação Moçambicana de Futebol, era uma "figura muito querida no país", à semelhança do antigo capitão do Benfica Mário Coluna, que morreu no ano passado em Maputo, e ambos "vão ficar para sempre no coração dos moçambicanos".

Feisal Sidat destaca também a figura do 'Pantera Negra' no bairro da Mafalala, na capital moçambicana, onde cresceu e começou a jogar futebol e "onde mesmo os mais jovens recordam a sua memória".

Ouvir o áudio 03:28

"Pantera Negra" no Panteão Nacional português

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