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Angola

Países lusófonos traçam objetivos para a cimeira UE-UA

Angola vai focar-se na questão dos jovens. Cabo Verde quer mais atenção para os Estados insulares. Relações económicas e pesca serão prioridade para São Tomé durante a cimeira entre União Europeia e União Africana.

Realizada pela primeira vez na África subsaariana, a cimeira entre a União Europeia (UE) e a União Africana (UA) reúne cerca de 80 chefes de Estado e de Governo, na próxima quarta e quinta-feira (29 e 30.11), na capital económica da Costa do Marfim, Abidjan.

A quinta cimeira entre os dois blocos tem como tema "Investir na Juventude para um futuro sustentável". O lançamento de um Plano Marshall para África e a criação de um programa de Erasmus para jovens empreendedores são algumas das propostas que deverão estar em debate.

Durante as conferências e encontros de lançamento da cimeira, na semana passada, o presidente do Parlamento Europeu defendeu a implementação de "um verdadeiro Plano Marshall", nome do programa de recuperação económica da Europa desenvolvido pelos Estados Unidos no final da Segunda Guerra Mundial.

Brüssel Europäische Kommission | Moussa Faki Mahamat & Federica Mogherini

Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da União Africana, e Federica Mogherini, Alta Representante da UE para os Assuntos Externos

"Devemos apoiar os esforços que os africanos estão a levar a cabo para estabelecer uma base de produção sustentável e desenvolver uma agricultura eficaz, fontes de energias renováveis e água, energia, mobilidade e infraestruturas logísticas e digitais adequadas", sustentou Antonio Tanjani.

Com um Plano Marshall para África, a Europa poderia "fortalecer a boa governação e o Estado de direito, melhorar a luta contra a corrupção e ajudar a emancipação das mulheres e educação", apontou o presidente do Parlamento Europeu.

O plano de investimentos externos da UE prevê um investimento de 3,4 mil milhões de euros em África. No entanto, o lançamento daquele instrumento poderá alavancar investimentos privados na ordem dos 44 mil milhões de euros em cinco áreas prioritárias (energia sustentável, conetividade, agricultura sustentável, cidades sustentáveis e desenvolvimento digital), afirmou a Alta Representante para os Assuntos Externos, Federica Mogherini.

Cabo Verde alerta para alterações climáticas

Portugal - Luís Filipe Tavares MNEC, 4. August, Lissabon

Luís Filipe Tavares, chefe da diplomacia de Cabo Verde

Cabo Verde, que preside atualmente o grupo de pequenos estados insulares africanos no seio da UA, vai apresentar "uma plataforma conjunta que tem a ver com a problemática dos Oceanos, das Alterações Climáticas, das vulnerabilidades económicas", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros cabo-verdiano, Luís Filipe Tavares, à margem da visita de Estado a Portugal.

"A posição que vamos defender é a de que a UE tem de dar mais atenção aos pequenos Estados insulares africanos em desenvolvimento", sublinhou o ministro.

Quanto a expectativas da cimeira de Abidjan, Luís Filipe Tavares quer que de lá saia, "em primeiro [lugar], um compromisso da UE". "Cabo Verde tem uma posição muito parecida com a União Europeia, de mais pragmatismo, mais dinamismo, mais trabalho", acrescentou o chefe da diplomacia Luís Filipe Tavares.

São Tomé e Príncipe preocupado com questões económicas

"Iremos sobretudo preocupar-nos sobre a questão da relação económica, da pesca e do apoio orçamental", declarou o primeiro-ministro são-tomense Patrice Trovoada, na quarta-feira, durante uma visita à sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa. Do ponto de vista económico, o dossier da pesca é o mais importante, destacou Patrice Trovoada.

São Tomé Fischerei

O dossier da pesca é o mais importante para São Tomé e Príncipe abordar na cimeira

De acordo com a Comissão Europeia, a UE e São Tomé e Príncipe têm um acordo (2014-2018) na área da pesca que permite que barcos europeus (França, Espanha e Portugal) pesquem sete toneladas de peixe nas suas águas. Em contrapartida, o país africano lusófono recebe cerca de 700 mil euros por ano, além de 325 mil euros para o apoio às suas políticas de pesca.

"A União Europeia é uma parceira fundamental e tem-nos ajudado através do último FED (Fundo Europeu de Desenvolvimento), sobretudo a nível do orçamento", disse Patrice Trovoada.

O FED é a principal fonte de financiamento da UE para os países da África, Caraíbas e Pacífico, apoiando atividades de cooperação no âmbito do desenvolvimento económico, social e humano, bem como da cooperação regional e integração.

Mas São Tomé e Príncipe gostaria ainda de abordar outras questões na cimeira. "Há um grande tema também ligado à juventude", indicou ainda primeiro-ministro.

Angola e a juventude

Angola deverá estar representada ao mais alto nível pelo Presidente João Lourenço. Será uma cimeira "muito centrada nas questões da juventude, emprego e desenvolvimento. Angola vai partilhar a sua experiência no que concerne à políticas e programas ligados à juventude e ao desenvolvimento do país", afirmou o diretor para Europa do Ministério das Relações Exteriores angolano, Francisco da Cruz.

Balança comercial entre os dois blocos

A balança comercial entre a União Europeia e os países africanos é atualmente positiva para a Europa. De acordo com o Eurostat, o organismo oficial de estatísticas da União Europeia, a balança comercial passou a ser favorável aos 28 países europeus desde 2015, quando o saldo entre as exportações e as importações foi de 21,6 mil milhões de euros.

Bonn Staatspräsident Guinea Alpha Conde

Alpha Condé, presidente da União Africana

Em 2014, ano da última cimeira UE-África, o saldo tinha sido favorável aos 54 países que constituem a União Africana em 1,9 mil milhões de euros. Mas desde então o saldo das trocas comerciais foi sempre favorável aos europeus.

A África do Sul é o principal parceiro comercial, em termos de importações e de exportações com o bloco europeu, desde pelo menos 2014.

A cimeira da próxima semana, que marca dez anos de parceria entre os dois blocos, será presidida por Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, e Alpha Condé, presidente da União Africana.

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