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Angola

Os efeitos da queda do preço do petróleo em África

Falta de alimentos, inflação e poucos investimentos externos são algumas das consequências. Baixa prejudica o poder de consumo dos angolanos. Em Moçambique, preço do gás natural também é afetado.

Angola: racionamento de itens básicos

Em 2013, Angola exportou 68 milhões de dólares em petróleo, segundo as Nações Unidas. A queda de dois terços no preço do petróleo no ano passado foi sentida no dia a dia dos angolanos. Devido à queda nas receitas, o país teve de reduzir suas importações, afetando principalmente o setor de alimentos. "Há poucos produtos disponíveis no mercado e isso tem elevado o preço dos alimentos", explica o economista angolano Antonio Panzo.

Em muitas partes do país, supermercados e atacadistas estão a racionar seus produtos: é permitida a compra de apenas um saco de arroz, uma lata de óleo e um pacote de açúcar por cliente. A medida tem a intenção de parar a corrida por bens e prevenir o crescimento do mercado negro. Além disso, o governo anunciou uma redução de 25% no orçamento nacional. Projetos de infraestrutura, como construção de novas estradas, portos, aeroportos, hospitais e escolas, serão os principais afetados.

Moçambique: gás natural também em baixa

A economia moçambicana esteve em ascenção nos últimos anos com a aposta em novos campos de gás natural. Empresas dos Estados Unidos e Itália planejam construir usinas para a produção do gás no país.

No entanto, a queda não só no preço do petróleo, mas também do gás natural aumenta a preocupação de que o país não conseguirá obter os bilhões em dinheiro que eram esperados pela exploração do gás.

Chris Bredenhann, especialista em petróleo e gás da consultoria Pricewaterhouse Coopers, diz que não há razão para pânico. Segundo o analista, os preços das commodities são flutuantes. "Empresas fazem investimentos de longo prazo onde veem potencial para um retorno futuro. Elas não esperam resultados em dois, cinco anos. Elas estão a olhar num horizonte de planejamento de 20 a 30 anos", disse em entrevista à DW.

Angola Supermarket

Queda nas importações de alimentos gera racionamento em Angola

Congo: aumento dos gastos estatais

Com a proximidade das eleições presidenciais, a República Democrática do Congo tomou um outro rumo. Apesar da queda do preço do petróleo e o facto de o crescimento do país estar baixo (em torno de 1%), o governo pretende triplicar o orçamento público. Em 2014, quando a economia cresceu 6,8%, de acordo com o FMI, a dívida do país dobrou.

O petróleo é a principal fonte de renda da economia congolesa. O país espera aumentar a taxa de financiamento de novos projetos envolvendo o petróleo, o que deve garantir mais dinheiro aos cofres públicos. Ao mesmo tempo, o governo pretende diversificar a economia investindo em infraestrutura, florestamento e mineração. Já especialistas duvidam que o país consiga manter a nova meta do orçamento sem contrair mais dívidas.

Nigéria: nação rica afundada em dívidas

Na maior economia do continente africano, o petróleo representa 80% do lucro das exportações, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A receita gerada pela exploração do petróleo financia boa parte do orçamento da Nigéria. "Acreditamos que o déficit atual deve duplicar devido à baixa do preço do petróleo", afirma Francesca Beausang, analista do instituto de pesquisas BMI, sediado em Londres.

Segundo o Finantial Times, o déficit na economia nigeriana deve chegar a 15 bilhões de dólares. As despesas públicas estão a crescer rapidamente porque o país tem tentado impulsionar a economia lenta com gastos adicionais. O problema é que, com o aumento da dívida pública, os investidores exigem taxas de juros mais altas para conceder novos empréstimos.

Sudão e Sudão do Sul: taxa de trânsito aumenta tensões

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Sudão, que administra os gasodutos na região de fronteira, cobra altas taxas do Sudão do Sul

Além da queda no preço do petróleo, as economias dos dois países são afetadas pelo conflito político. Em 2011, o Sudão do Sul, que detém a maioria dos campos de petróleo, ganhou sua independência.

Desde então, o país tem sido obrigado a pagar taxas de trânsito ao Sudão, que administra os gasodutos. A taxa por barril é de 22 euros, sem contar os custos de bombeamento. Com o preço por barril de petróleo abaixo dos 30 euros, o Sudão do Sul está a sofrer grandes perdas. Se o governo do Sudão não concordar em reduzir as taxas, o Sudão do Sul será forçado a parar a produção, informou o ministro do Petróleo do país em janeiro.

Zimbabué e Malawi: lucros com o petróleo barato

Para alguns países em África, a queda no preço do petróleo não é uma ameaça. Em Malawi e Zimbabué, que não possuem costa litorânea e, portanto, não têm reservas de petróleo, a gasolina é muito cara devido ao custo do transporte. Por esse motivo, os dois países têm um dos valores mais altos de combutíveis no continente. Nos últimos dois anos, a queda do preço do petróleo reduziu em um quarto o valor dos combustíveis no Malawi.

Poucos dias atrás, Glória Magombo, diretora da Autoridade Regulatória de Energia do Zimbabué (Zera), anunciou que o preço dos combustíveis deveria cair ainda mais nas próximas semanas. No final de fevereiro, a população do Zimbabué chegou a pagar 1,24 dólares por um litro de gasolina e 1 dólar por um litro de diesel.

"O Zimbabué usa bastante diesel para a geração de energia", detalha Bredenhann. "Se o preço é baixo, as pessoas têm, consequentemente, mais dinheiro para gastar, porque o custo da eletricidade e dos transportes cai. Isso incentiva o investimento e estimula o crescimento."

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