1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Moçambique

Organizações moçambicanas exigem responsabilização dos bancos envolvidos nas dívidas ocultas

Organizações da sociedade civil moçambicana apelaram à comunidade internacional para desencadear ações visando a responsabilização dos bancos estrangeiros envolvidos nas "dívidas escondidas" entre 2013 e 2014.

Organizações da sociedade civil moçambicana apelaram à comunidade internacional para desencadear ações visando a responsabilização dos bancos estrangeiros envolvidos nas chamadas dívidas escondidas, contraídas pelo Governo entre 2013 e 2014.

"A comunidade internacional deve desencadear processos e ações concretas para exigir responsabilidade dos bancos internacionais que claramente estiveram envolvidos em atividades irregulares", refere hoje (01.07.) em nota de imprensa conjunta o Centro de Integridade Pública (CIP), o Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil (MASC), o Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) e o Observatório do Meio Rural.

A inação da comunidade internacional face à necessidade de uma responsabilização dos bancos associados às dívidas ocultas, prossegue a nota, vai lançar dúvidas sobre a eficácia dos mecanismos de monitorização e controlo credíveis nos sistemas financeiros em que os bancos internacionais atuam.

Schiffe von EMATUM in Mosambik

Barco da empresa EMATUM no Porto de Maputo

As quatro organizações criticam o Governo moçambicano por não assumir um compromisso sério com a imputação de responsabilidades aos autores dos empréstimos contraídos pelo executivo anterior à revelia da Assembleia da República, dos organismos financeiros internacionais e dos doadores.

"Admitir a violação apenas, em vez de sancionar o ato ilegal, converter-se-á num golpe irreparável para a aspiração de uma governação efetiva e credível", indica a nota de imprensa, distribuída em Maputo.

Abordagem que “escamoteia a culpabilidade”

Para as quatro organizações, as autoridades moçambicanas seguem uma abordagem que "escamoteia a culpabilidade" dos autores dos empréstimos e não apresenta um plano credível que contribua para o restabelecimento da confiança da ação governativa, perante a sociedade e a comunidade internacional.

"O arrastar desta situação obscura e não transparente preocupa as entidades da sociedade civil envolvidas na pesquisa e monitoria da governação", refere a nota de imprensa.

A sociedade civil moçambicana, prossegue o comunicado, duvida que a boa governação possa acontecer em Moçambique, se os esforços que por ventura estejam a ser realizados pelo Governo não se traduzam em ações concretas para credibilizar as instituições públicas.

Dívida pública é de 10,4 mil milhões de euros

Schiffe von EMATUM in Mosambik

Barco da empresa EMATUM no Porto de Maputo

Recorde-se que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os doadores do Orçamento do Estado suspenderam este ano os seus apoios após a revelação da existência de 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros) em empréstimos garantidos pelo Governo a empresas participadas pelo Estado e que não foram declarados nas contas públicas.

Com a revelação dos novos empréstimos, a dívida pública de Moçambique é de 11,66 mil milhões de dólares (10,4 mil milhões de euros), dos quais 9,89 mil milhões de dólares (8,9 mil milhões de euros) são dívida externa.

Este valor representa mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) e traduz uma escalada de endividamento desde 2012, quando se fixava em 42%.

No final da visita de uma missão do FMI a Maputo, na passada sexta-feira (24.06.), a instituição afirmou que Moçambique enfrenta desafios económicos difíceis e que se espera que o crescimento económico em 2016 reduza para 4,5%, contra de 6,6% em 2015, quase 3,3 pontos percentuais abaixo dos níveis históricos, com riscos substanciais de baixa nesta projeção.


Leia mais