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São Tomé e Príncipe

Oposição são-tomense acusa Governo de "assalto ao Parlamento"

Militares ruandeses, supostamente autorizados pelo Governo, terão impedido parlamentares da oposição de entrar na Assembleia Nacional em São Tomé. Deputados pedem à comunidade internacional que medidas sejam tomadas.

Os partidos são-tomenses da oposição acusam o Governo do primeiro-ministro Patrice Trovoada de "ordenar o assalto" ao Palácio dos Congressos, onde funciona o Parlamento de São Tomé e Príncipe.

Segundo a oposição, na tarde da última quinta-feira (31.08) um grupo de militares comandados por instrutores ruandeses "tomou de assalto" o Parlamento durante várias horas "barrando a passagem" a quem quisesse entrar e revistando todos os que se encontravam no interior, incluindo as viaturas.

"Estamos a caminhar para uma ditadura militar, estamos a caminhar para um momento altamente perigoso, temos que alertar todo o povo são-tomense, a comunidade internacional para que medidas sejam tomadas", disse esta sexta-feria (01.09) Jorge Amado, dirigente do Movimento de Libertação de são Tomé e Príncipe-Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), principal partido da oposição, que já pediu a saída dos militares ruandeses do país.

Galerie - São Tomé e Príncipe

Primeiro-ministro Patrice Trovoada

O líder parlamentar do MLSTP diz ter sido "barrado" ao tentar entrar nas instalações do parlamento "por um grupo de militares que estavam sob orientação de instrutores do Ruanda". "Disseram-me que se quisesse entrar tinha que deixar ser revistado, eu e a minha viatura, não aceitei e entramos em discussão", explicou.

Jorge Amado acrescentou que depois de cerca de 15 minutos de discussão e após os militares que barravam a sua entrada "terem consultado o instrutor ruandês", foi autorizado a entrar no recinto do Parlamento, onde tinha uma reunião com outros membros da bancada do seu partido.

"Ao entrar na Assembleia Nacional dei conta que lá dentro estavam pelo menos 60 outros militares, 40% deles devidamente equipados e fardados com coletes à prova de bala, outra parte estava a paisana, mas armados de pistolas", acrescentou.

"Acho esse ato bastante preocupante, e quando acontece numa casa parlamente constitui ameaça a integridade física dos deputados, é algo com a qual a sociedade não pode conviver", salientou o líder da bancada parlamentar dos sociais-democratas em conferência de imprensa, em que estavam presentes representantes de todos os partidos da oposição, com e sem assento parlamentar.

Regierungsmitglieder von São Tome und Príncipe

Parlamento são-tomense (Foto de arquivo/2014)

"Ameaça à democracia"

Outro deputado que passou pela mesma situação foi o líder parlamentar do Partido da Convergência Democrática (PCD), Danilson Cotu. "Isso é uma ameaça gravíssima à nossa democracia. Preocupa-nos sobremaneira e por isso nós estamos a chamar a atenção ao povo de São Tomé e Príncipe para que esteja atento", disse.

O PCD insta o Presidente são-tomense, Evaristo Carvalho, para "tomar medidas" sob pena de vir a ser responsabilizado pelas consequências destes atos.

"Estamos mais uma vez a chamar a atenção ao Senhor Presidente da República para que tome medidas em relação a isso porque senão nós vamos ter que responsabilizá-lo pela nossa segurança e pela própria vida da democracia em São Tomé e Príncipe", adiantou Danilson Cotu.

"Estão ainda no nosso país as tropas ruandesas, com conivência do Governo. Nós, os partidos da oposição, não vamos aceitar, vamos continuar a tudo fazer até que essas tropas saiam do país e o nosso país volte a viver o clima de segurança e de tranquilidade que sempre foram apanágio do povo são-tomense", concluiu.

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