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Internacional

Oposição congolesa contesta proposta de adiamento das eleições na RDC

Segundo a Constituição da RDC, o Presidente Kabila não pode tentar a reeleição. A CNE propôs adiar o pleito. A oposição acusa Kabila de tentar manter o poder e pede o envolvimento da comunidade internacional no debate.

Joseph Kabila Präsident Demokratische Republik Kongo (picture-alliance/dpa/M. Kappeler)

Joseph Kabila, Presidente da República Democrática do Congo

Partidos da oposição da República Democrática do Congo (RDC) apelaram, esta terça-feira (04.10), à comunidade internacional e às Nações Unidas para desempenharem papel mais ativo junto à União Africana a fim de promover um diálogo mais inclusivo no país em relação ao processo eleitoral.

A oposição congolesa volta a reunir-se esta quarta-feira (05.10). É o segundo dia de um encontro que visa chegar a um entendimento comum, face à intenção do Presidente Joseph Kabila de se manter no poder na República Democrática do Congo (RDC).

Vontade que se tornou ainda mais evidente depois de, no sábado (01.10), a Comissão Eleitoral do país ter proposto que as eleições presidenciais, legislativas e provinciais, agendadas para novembro próximo, sejam adiadas para 2018. A oposição contesta. Mas o jornalista tanzaniano Jenerali Ulimwengu não acredita que os partido da oposição tenham alguma hipótese contra a intenção do Presidente Kabila.

"A oposição está muito dividida. Tentou unir-se no passado, mas sem sucesso. Porque tanto o Kabila pai como o filho têm usado uma estratégia de intimidar e dividir a oposição. E realmente não vejo o que se possa fazer para forçar Joseph Kabila a abandonar o poder," avalia o jornalista.

A oposição acusa o Presidente congolês de manobras para atrasar a realização de eleições a fim de se manter no poder depois do mandato, que termina em dezembro deste ano.

Demokratische Republik Kongo Kinshasa Oppositionsführer Etienne Tshisekedi (picture alliance/dpa/D. Kurokawa)

Etienne Tshisekedi, líder da oposição na República Democrática do Congo

Permanência no poder

O Tribunal Constitucional já anunciou que Joseph Kabila poderá continuar a dirigir os destinos do país, mesmo depois de terminar o mandato, em dezembro, até que um novo Presidente seja eleito.

Em visita oficial à Tanzânia, Kabila justificou o adiamento do sufrágio.

"Queremos estar bem preparados para realizar eleições. Se decidirmos organizar eleições no final deste ano ou no próximo ano, queremos que seja um processo pacífico, tanto na preparação, durante o exercício e depois dos resultados serem anunciados," argumentou.

"Não há crise política no Congo. O que está a haver é alguma tensão antes das eleições, o que é normal em muitas partes de África. Queremos garantir que não haja tensão nas eleições e, por isso, foi retomado o diálogo," acrescentou Joseph Kabila.

O diálogo nacional é considerado ineficaz, já que integra apenas alguns partidos políticos e poucas organizações da sociedade civil.

O líder da oposição, Etienne Tshisekedi, já apelou a uma manifestação a 19 de outubro. No entanto, o jornalista tanzaniano Jenerali Ulimwengu duvida que esta estratégia venha a surtir efeitos.

"Tem havido tanto derramamento de sangue nas ruas, que eu me questiono se isso poderá continuar. As pessoas não vão continuar a sair e protestar a toda a hora, se são chamadas para serem mortas," considera.

Ouvir o áudio 03:15

Oposição congolesa contesta proposta de adiamento das eleições na RDC

Dezenas de pessoas morreram, há duas semanas, na capital, em confrontos entre as forças de segurança e manifestantes que contestavam o adiamento das eleições.

Joseph Kabila subiu ao poder em 2001, depois da morte do pai. Foi eleito em 2006, nas primeiras eleições livres do país, e reeleito em 2011 - prometendo na altura que iria respeitar o limite de dois mandatos presidenciais, como é estipulado pela Constituição.

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