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Internacional

Opinião: "Tunísia é exemplo para todo o mundo árabe"

Nas eleições parlamentares da Tunísia as forças seculares conseguiram levar a melhor contra as forças islamistas. O jornalista da DW Rainer Sollich é de opinião que o país está no bom caminho da consolidação democrática.

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Membros do Bloco "Nidaa Tounes" festejam a vitória nas eleições legislativas

Quatro anos depois da denominada "primavera árabe", as regiões do Magrebe e do Médio Oriente encontram-se num estado deplorável: grande parte da Síria e do Iraque está exposta ao terror das forças do denominado "Estado Islâmico". O ditador Bashar Al-Assad continua, impávidamente, a bombardear uma parte da população. A Líbia e o Iémem também estão mergulhados no caos perpetrado por milícias que se combatem sem piedade. No Egito os militares reconquistaram o poder, reprimindo as liberdades civis, em geral, e, em especial, oprimindo os apoiantes da Irmandade Muçulmana. Um pouco por todo o lado aumentam as tensões entre grupos religiosos e étnicos.

Todos estes fatores são suscetíveis de levar à conclusão que a "primavera árabe" foi um autêntico falhanço, um desastre. Mas o exemplo da Tunísia mostra-se que não é bem assim.

Tunísia é fonte de esperança

A chefe do governo alemão, Angela Merkel, disse recentemente - aliás com toda a razão - que a Tunísia poderá funcionar como fonte de esperança para as populações em todo o mundo árabe. Foi na Tunísia que começou a "primavera árabe", a onda de revoluções que se abateu um pouco por todos os países árabes. A Tunísia é - quatro anos depois - o único país que enveredou pela via democrática. O caminho não tem sido fácil, mas a população tem aderido, apesar das ameaças constantes de grupos radicais e do medo de atentados.

Deutsche Welle Rainer Sollich Arabische Redaktion

Rainer Sollich, jornalista da DW e perito em questões ligadas ao mundo àrabe

Nem tudo são rosas, é certo: a Tunísia atravessa uma crise económica sem precedentes e encara um considerável aumento do número de desempregados. Os islamistas tentam aproveitar-se das dificuldades e há mesmo quem ameace com atentados.

Mas até agora a sociedade civil e a classe política têm reagido bem, evitando conflitos maiores e apostando numa cultura do consenso. Ao contrário do Egito, onde as forças islamistas foram empurradas para fora do governo com recurso à violência, na Tunísia tentou-se envolver as forças religiosas no processo de democratização. O objetivo é unir e não dividir o país.

Fairplay: islamistas aceitam derrota

Os resultados preliminares das recentes eleições legislativas (26.10) indicam que o caminho do bom senso vai continuar a ser seguido. O partido islamista "Ennahda", tudo indica, deixará de ser o maior partido e entregará o poder às forças seculares. O bloco "Nidaa Tounes" terá sido o mais votado: neste bloco diversas forças seculares colaboram com representantes do regime deposto há quatro anos.

Não deixa sde er positivo o facto dos islamistas do "Ennahda" terem aceite a sua derrota e felicitado os vencedores. Este comportamento pode e deve servir de exemplo para as forças congéneres nos outros países da região.

O futuro político na Tunísia continua em aberto: as eleições presidenciais do próximo mês, poderão trazer algumas alterações adicionais ao frágil sistema político tunisino. Os vencedores das eleições parlamentares, o bloco "Nidaa Tounes" não vai poder governar sozinho: terá, sim, que formar coligações, com vários outros partidos seculares, ou mesmo com o próprio "Ennahda". De qualquer das formas os islamistas continuarão envolvidos nos destinos políticos do país e espera-se que isso contribua para uma postura construtiva e não radical. É este o lado mais positivo da "experiência tunisina". A Europa deveria apoiar esse caminho.