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Internacional

Opinião: "A capacidade de acolhimento da Europa tem limites"

Londres recusou-se a apoiar a UE nas operações de resgate no Mediterrâneo, alegando que isso atrairá mais refugiados para a Europa. Muitos criticaram a posição, mas Christoph Hasselbach diz que ela faz um certo sentido.

Poucos assuntos despertam tantas emoções como a questão dos refugiados que atravessam de barco o Mar Mediterrâneo. Só este ano, mais de três mil refugiados morreram afogados. É uma tragédia que nos deixa sem palavras, e que, simultaneamente, faz com que quase todos sintam a necessidade de dizer à Europa que deve, ou melhor, tem a obrigação moral de receber muito mais pessoas do que até aqui.

No espaço de um ano, a missão naval italiana "Mare Nostrum" salvou 150 mil refugiados. Mas a "Mare Nostrum" poderá ser suspensa dentro em breve. A missão europeia "Tritão", que será lançada a 1 de novembro e é chefiada pela agência europeia de gestão das fronteiras "Frontex", não foi concebida como substituto da "Mare Nostrum", tanto ao nível da abrangência como das suas próprias incumbências. Mas os seus objetivos são semelhantes: salvar pessoas que atravessam o Mar Mediterrâneo em embarcações sobrelotadas, indo do norte de África e do Médio Oriente para a Europa à procura de refúgio e de uma vida melhor.

Ponte para a Europa

A Grã-Bretanha anunciou agora que não fará parte da "Tritão". Tais ações criariam "involuntariamente um fator de incentivo", disse a britânica Joyce Anelay, secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros. "Elas encorajam mais migrantes a tentar a perigosa travessia marítima, o que levaria a mais mortes trágicas." A Grã-Bretanha não parece estar sozinha nesta questão. O ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, disse que a "Mare Nostrum" foi uma ação "concebida como medida de emergência mas que provou ser uma ponte para a Europa". De Maizière sabia que ouviria fortes críticas de políticos de esquerda, de Igrejas e organizações humanitárias. Os críticos acusam também a Grã-Bretanha de ter como único objetivo a não entrada de refugiados na Europa.

Mais imigrantes, mais votos para o UKIP

As críticas acertaram em cheio. Porque, para Londres e para outros Governos europeus, a prioridade não é prevenir situações de perigo ou que as pessoas fiquem dependentes de traficantes; a prioridade número um é içar a ponte levadiça que conduz à Europa.

É preciso considerar a política doméstica britânica, já de olho nas eleições gerais marcadas para o início do próximo ano: o Governo conservador de David Cameron está sob forte pressão do partido eurocético e xenófobo UKIP. Cada cedência de Cameron relativamente ao tema “imigrantes” é mais um voto a favor do UKIP. Em França há uma pressão similar, tal como na Holanda e noutros países. Mais tarde ou mais cedo, o mesmo acontecerá na Alemanha.

Christoph Hasselbach

Jornalista Christoph Hasselbach

Quem defende a abertura das portas a mais imigrantes tende a pôr de lado estes fatores políticos. E é difícil argumentar contra os ativistas de um ponto de vista moral. Afinal de contas, trata-se frequentemente de uma questão de vida ou de morte dos refugiados.

Cerca de metade dos refugiados que atravessam de barco o Mar Mediterrâneo vem da Síria ou da Eritreia; não há dúvida da vulnerabilidade destas pessoas. E, de facto, os países vizinhos da Síria têm feito muito mais neste capítulo. Tudo isso é verdade. Mas a capacidade de acolhimento da Europa tem limites. Ao ouvir certos políticos, representantes de Igrejas ou membros de organizações humanitárias fica-se com a impressão de que eles prefeririam enviar navios de cruzeiro para o norte de África para apanhar quem quer fosse que quisesse vir para a Europa, independentemente do seu país de origem e da razão por que o está a fazer.

Winfried Kretschmann, o ministro-presidente de Baden-Wurttemberga, do partido Os Verdes, disse recentemente numa entrevista que "o barco nunca está cheio." Trata-se de uma incrível frase absoluta e, por isso, insensata! A nível puramente económico, o barco ainda poderá acomodar muita gente, mas há limites do ponto de vista político e social. Quem os ignorar brinca com o fogo.

Prevenir em vez de remediar

Ainda assim, se a Europa não quer trair os seus próprios valores, terá de continuar a acolher mais refugiados de zonas de crise. E continuará a salvar pessoas em alto-mar. Mas não poderá resolver todos os conflitos do mundo somente acolhendo grupos étnicos que estão a ser perseguidos. Essa seria quase uma apologia da expulsão dessas pessoas. O problema central é que, normalmente, a União Europeia reage aos problemas mas faz pouco para os prevenir. Normalmente, interessa-se apenas por uma região quando ocorrem conflitos e é ameaçada por enchentes de refugiados. Mas aí geralmente já é tarde demais para estabilizar a situação. A União Europeia tem um poder enorme. E é nisso que o tem de aplicar.

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