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Angola

O que os angolanos esperam de João Lourenço?

Combate à corrupção e melhorias nos serviços públicos estão entre as expetativas dos angolanos em Luanda. João Lourenço toma posse nesta semana como Presidente da República.

O combate à corrupção e às assimetrias da sociedade, bem como melhorias na saúde, educação e saneamento são temas prioritários para os angolanos na governação de João Lourenço, que toma posse na próxima terça-feria (26.09) como novo Presidente da República de Angola.

A cerimónia de posse em Luanda marca também a saída de José Eduardo dos Santos ao fim de 38 anos, e, na capital angolana, as expetativas em torno da nova liderança passam pelo cumprimento das promessas eleitorais feitas por João Lourenço.

"Espero por uma boa governação, que possamos recuperar e melhorar e espero acima de tudo sucesso", apontou funcionária pública Cristina Torres, de 34 anos, em entrevista à agência Lusa. Ela sublinhou ainda que espera "ver o povo satisfeito" caso as promessas eleitorais sejam "cumpridas à risca".

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O professor Laurindo Adriano, em Luanda, assumiu esperar uma mudança não só na liderança do país, mas também a nível do partido governante.

"Quero ver melhorias no setor da saúde, educação, saneamento básico, energia. É isso que a população precisa, principalmente a baixa de preços dos produtos básicos", observou.

Combate à corrupção e às assimetrias regionais do país devem ser, no entender de Pedro Francisco Ngunza, o foco da governação de João Lourenço, terceiro presidente de Angola, em 42 anos de independência.

"Gostaria que o Presidente João Lourenço focasse mais a sua governação no combate à corrupção, por ser um fenómeno que impede o desenvolvimento do país e agrava a condição de vida do cidadão comum, espero ainda ver o combate das assimetrias regionais que se registam no país", afirmou.

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Promessas do MPLA

O combate à corrupção, por limitar o desenvolvimento económico do país, foi precisamente uma das promessas eleitorais de João Lourenço. Ainda assim, para este estudante de Relações Internacionais, "dificilmente" as promessas feitas durante a campanha eleitoral serão cumpridas, sobretudo devido "à conjuntura económica em que se encontra o país", disse Ngunza.

"Não acredito na realização de todas promessas feitas durante a campanha, mas a ver vamos se o Presidente e a sua governação terão uma estratégia para contornar a crise económica para poderem materializar o que prometeram", adiantou.

Melhoria das condições sociais são, no entender da professora Maria Rita Fançony, uma "preocupação generalizada" e que deve merecer uma "atenção especial" da governação de João Lourenço.

"A esperança é última a morrer, nós podemos ter algumas dúvidas e reticências quanto às promessas que foram feitas, porque políticos prometem sempre, mas ainda assim vamos esperar que pelo menos 40% dessas promessas sejam concretizadas", rematou.

João Lourenço e o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) foram os vencedores das eleições gerais de 23 de agosto, com 61% dos votos, de acordo com os resultados finais divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral. No entanto, estes resultados continuam a ser contestados pelos partidos políticos na oposição, que prometem "luta democrática no Parlamento".

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