O poder da Igreja Católica na RD Congo | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 02.01.2018
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Internacional

O poder da Igreja Católica na RD Congo

Analistas defendem que a Igreja Católica tem um papel fundamental na resolução da crise congolesa. Politólogo acredita inclusive que a Igreja pode, se quiser, provocar a queda do Presidente Joseph Kabila.

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Protestos contra o Presidente Joseph Kabila em Kinshasa, no domingo (31.12)

Passou um ano desde a assinatura do Acordo de São Silvestre entre o Governo congolês e a oposição. O documento previa a realização de eleições gerais até ao final de 2017. Mas, depois de vários atrasos, Joseph Kabila continua na Presidência, apesar do seu mandato ter terminado há um ano.

Em dezembro de 2016, a Igreja Católica teve um papel crucial, mediando o acordo com a oposição, mas esse papel não se esgotou um ano depois.

Se quisesse, a Igreja teria até o poder de derrubar o Presidente Joseph Kabila, comenta o politólogo Fidel Bafilemba, em entrevista à DW: "Será suficiente que estejam do lado da nação congolesa e a situação poderá mudar num piscar de olhos", afirma.

Joseph Kabila Präsident der Demokratischen Republik Kongo

Presidente congolês, Joseph Kabila

Insatisfação popular

No domingo (31.12), grupos da oposição e de católicos foram para as ruas protestar contra Joseph Kabila. As forças de segurança da República Democrática do Congo reprimiram violentamente os protestos, entrando em igrejas e interrompendo missas.

De acordo com manifestantes, doze pessoas morreram durante os protestos - número negado pela polícia. Mais de cem pessoas foram detidas, incluindo sacerdotes e acólitos.

A Igreja Católica é uma peça poderosa no xadrez político congolês. Está, por esse motivo, cada vez mais sob pressão, de acordo com o analista Ben Shepherd. A repressão policial de domingo é exemplo disso.

"Colocar homens armados nas igrejas é uma atitude bastante forte, em termos simbólicos", diz o especialista do instituto britânico Chatham House.

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O poder da Igreja Católica na RD Congo

Uma linha "muito ténue"

40% da população congolesa é católica. A Igreja goza de prestígio em todo o país, devido ao seu papel na ajuda aos mais necessitados, prestando serviços de saúde ou educação. Mas com o prestígio, aumenta a responsabilidade.

"A Igreja percorre uma linha muito ténue", afirma Shepherd. "A Igreja foi fundamental para a assinatura do acordo no final de 2016. É, praticamente, a única instituição na República Democrática do Congo com autoridade moral para agir como árbitro e pressionar a elite política. Mostrou, com estas manifestações, que consegue mobilizar pessoas para as ruas, mais do que a oposição", enfraquecida por conflitos internos.

Por outro lado, lembra o analista, "a hierarquia da Igreja é vista, por muitos, como parte do sistema político."

A Igreja está dividida. A liderança católica não apoiou as manifestações de domingo. Pode, porém, provocar mudanças na República Democrática do Congo - é essa, pelo menos, a convicção de Fidel Bafilemba.

"Penso que, na deceção total, no abandono em que os congoleses se encontram hoje, esta população não tem escolha. Qualquer um que se apresente como Moisés, e é uma pessoa séria, vencerá", diz o politólogo.

As eleições na República Democrática do Congo foram adiadas para 23 de dezembro deste ano.

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