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NOTÍCIAS

O fim da era Kadhafi na Líbia

O encerrar da era Kadhafi na Líbia foi recebido com alívio por muitos. Dentro e fora do país. Contudo, com a morte de Muammar Kadhafi começam os verdadeiros desafios políticos para o Conselho Nacional de Transição.

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Antigo rebelde líbio sente-se livre para pisar a imagem de Kadhafi

"Virar de página", "fim de uma era", "recomeço", "primeiro passo para um futuro democrático" – são os denominadores comuns nas reações dos líderes ocidentais à morte do líder líbio Muammar Kadhafi.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, por exemplo, descreve o potencial deste momento para a Líbia: "A notícia da morte de Muammar Kadhafi marca o fim de uma era de despotismo. Estou convicto de que era mais do que altura que esta era chegasse ao fim porque o povo líbio já sofreu durante demasiado tempo. Espero que o povo líbio abrace a liberdade e construa um novo futuro democrático".

Causas da morte de Kadhafi

Gaddafi / Libyen / Tripolis

Kadhafi foi morto no dia 20 de outubro, data que marca o fim de 42 anos de um regime considerado ditarorial

A União Europeia foi das primeiras instituições a reconhecer a nova autoridade líbia e a comprometer-se a ajudar na reconstrução do país. Todavia, na Europa existem também apreensões quanto ao rumo que a Líbia possa vir a tomar. São conhecidos relatos de abusos e violações dos direitos humanos cometidos pelos apoiantes do Conselho Nacional de Transição e estão ainda por esclarecer as circunstâncias que levaram à morte do coronel Kadhafi.

Imagens divulgadas na manhã desta sexta-feira (21.10) mostram que o ditador, que governou a Líbia durante 42 anos, foi capturado vivo na cidade de Sirte e só depois viria a morrer baleado. Face a estas imagens as Nações Unidas e a Amnistia Internacional exigiram um inquérito independente e imparcial que clarifique as causas da morte de Kadhafi. Numa aparente mostra de boa vontade o governo transitório anunciou que adiaria o enterro por uns dias até serem esclarecidas todas as dúvidas.

Olhar para o futuro

Para a União Africana, órgão onde Kadhafi dispunha de uma considerável influência porque era um dos principais financiadores, já que a Líbia pagava 15 por cento do orçamento e as quotas de países com dificuldades financeiras, o momento agora parece ser de olhar em frente como sublinha um porta-voz: "O Conselho de Paz e Segurança teve uma reunião antes da morte de Kadhafi e adoptou, por unanimidade, a decisão de aceitar que o Conselho Nacional de Transição é a autoridade que governa a Líbia e que terá o seu lugar na União Africana. Agora temos de lidar com um novo capítulo e olhar para o futuro, por isso apelamos a todos líbios para que se unam e não procurem a vingança mas a coesão nacional".

Também o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, que visitará a Líbia este sábado apelou para que a transição seja "inclusiva e abra o caminho para o pluralismo político. O novo sistema democrático tem de ser baseado no primado da lei e respeito pelos direitos fundamentais de todos os cidadãos".

Líbios festejam a morte de Kadhafi

Em várias cidades Líbias a notícia da morte de Kadhafi foi recebida com festejos. Há um mês que as forças do Conselho Nacional de Transição, CNT, combatiam os grupos leais a Kadhafi em Sirte, a cerca de 373 quilómetros de Trípoli.

O que aconteceu na cidade contou com um forte envolvimento das forças da NATO presentes no país. A morte de Kadhafi significa que muito em breve as tropas aliadas se deverão retirar, isto desde que o CNT evite qualquer represália contra os civis e dê mostras de contenção em relação às forças vencidas pró-Kadhafi.

Entretanto, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou aos combatentes de ambas as partes para que "deponham as armas, em paz", e considerou que a morte de Kadhafi "marca claramente uma transição histórica para a Líbia".

Riadh Sidaoui, analista político do CARAPS (Centro Arábe de Pesquisa e análise Política e Social), aponta que uma das maiores dificuldades da futura liderança líbia será preencher o "vazio institucional e cívico na sociedade civil". Na sua perspectiva, são necessários de imediato três passos: "a formação de um exército nacional, a recolha de todas as armas que circulam livremente e a constituição de partidos políticos que possibilitem a fundação de um sistema multipartidário na Líbia".

Autor: Helena de Gouveia

Edição: Carla Fernandes/Cristina Krippahl

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