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Internacional

O dilema da migração: ficar ou partir

Com cada vez menos pessoas a deixar o Senegal e cada vez mais a regressar, a questão que se coloca é: como garantir alternativas viáveis no país?

O desemprego é um dos maiores problemas do Senegal, tal como a falta de oportunidades para os jovens. A situação agrava-se com a fuga das zonas rurais para as cidades, e muitos acreditam que a solução para os seus problemas é sair do país à procura de uma vida melhor.

Mbaye Salla, da Organização Internacional para as Migrações (OIM), diz que ser migrante não significa necessariamente que não se tem dinheiro. Muitos migrantes poupam somas avultadas para tentar entrar na Europa, sem documentação - um investimento que poderia ser feito no país de origem.

DW Migration Debatte in Dakar (DW/E. Landais)

Mbaye Salla, membro da Organização Internacional para as Migrações (OIM) no Senegal.

"Diz-se que os migrantes deixam o país porque não conseguem viver como estão. Mas, se falarmos com algumas das pessoas que estão a planear ir para fora, vemos que não é por falta de recursos que eles se querem aventurar", afirmou Salla à margem de um debate organizado pela DW em Dacar sobre "O Dilema da Migração: Ficar ou Partir". "Eles podiam ter ficado no Senegal investindo o que têm e, se calhar, até ganhando mais do que na Europa".

"A mensagem, na verdade, não é dizer-lhes que não devem partir, porque faz parte da condição humana ser curioso e querer descobrir, aventurar-se", acrescenta Salla. Em vez disso, a OIM tenta criar oportunidades no país, que podem ser uma alternativa a sair do país. A organização já ajudou centenas de migrantes que retornaram ao Senegal voluntariamente a estabelecerem negócios viáveis.

"Já tivemos quanto baste!"

Thiat, um ativista do grupo 'Y'en A Marre' ('Já tivemos quanto baste!'), também participou no debate. E aponta duas razões para a saída em massa de jovens ansiosos por novas oportunidades: faltam perspetivas de emprego no Senegal e o incentivo ao empreendedorismo é diminuto, em várias áreas.

"O que fazer quando o Estado não propicia boas condições de trabalho no próprio país? Mesmo quando se tenta sozinho, o Estado não nos auxilia", afirma.

"Nós sofremos por causa dos líderes que têm a coragem de dizer 'não' a certas decisões que vêm de outro lugar, mas aceitam que a Europa ou os Estados Unidos nos imponham políticas como os acordos internacionais de pesca."

DW Migration Debatte in Dakar (DW/E. Landais)

Yayi Bayam Diouf, líder de uma associação de mulheres contra a migração ilegal em Dacar.

Desemprego e frustração

Yayi Bayam Diouf partilha esse sentimento. Ela lidera uma associação de mulheres em Dacar contra a migração ilegal. Diouf perdeu o único filho em 2007. Ele rumou a Espanha num barco de pesca, mas nunca chegou ao destino.

"As nossas costas têm estado a ser mal exploradas devido aos acordos de pesca que os nossos governantes assinaram com a União Europeia, que tornam o peixe escasso. Muitos jovens não têm trabalho, e todas as manhãs observam a pilhagem do peixe no nosso mar."

"Isto é frustrante e faz com que os jovens acreditem que é melhor pegar em barcos e procurar uma vida melhor, mesmo que morram no mar", diz Diouf.

Críticas

O ministro senegalês da Juventude e do Emprego, Mame Mbaye Niang, não participou na discussão com os ativistas em Dacar, alegando um compromisso de última hora. Mas à imprensa, o ministro defendeu os esforços feitos pelo Governo para encontrar trabalho para os jovens desempregados, oferendo-lhes, por exemplo, oportunidades no setor agrícola.

"Sabemos que há jovens sem qualificação ou que não têm oportunidade de frequentar a escola e têm um nível escolar médio. Esses jovens estão em idade de trabalhar, querem e têm direito para isso. Mas entendo que, quando um jovem não tem qualificação, seja muito difícil encontrar emprego", disse.

Segundo o ministro, "o Presidente tem criado condições para estes jovens. Temos um défice de cereais no Senegal, embora haja terra, água e gente capacitada. É por isso que ele está a criar condições na agricultura para que jovens possam trabalhar em atividades relacionadas com o agronegócio", explicou Niang.

O ativista Thiat não viu com bons olhos a ausência do ministro no debate em Dacar: "Isso significa que, mais uma vez, as nossas autoridades não colocam as pessoas no centro das suas preocupações."

Assistir ao vídeo 03:25

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