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NOTÍCIAS

Nigéria: conflito em Zaria sem solução, um ano depois do massacre

O exército nigeriano foi responsável pela morte de 348 xiitas entre 12 e 14 de dezembro de 2015, em Zaria, no norte do país. Um ano depois, o líder e outros membros do movimento continuam detidos.

Muhammad Abdulhamid observa o que restou da sua antiga escola primária. Num dos bairros  residenciais da cidade universitária de Zaria, no norte da Nigéria, não ficou pedra sobre pedra. Recentemente, “bulldozers” do Governo regional de Kaduna destruiram o edifício. 

Quase um mês depois, Muhammad Abdulhamid, de 23 anos, continua “irritado e zangado com a atitude do estado (Kaduna)”, “porque a escola é onde as pessoas aprendem”, explica. “Como se pode destruir um local onde a nossa geração adquire conhecimento? Isso é destruir a nossa geração”, acrescenta o jovem nigeriano de 23 anos.

Nigeria Massaker in Zaria

"Free Zakzaky", um apelo à libertação do líder do Movimento Islâmico da Nigéria, Ibraheem Zakzaky

A destruição da escola é para Muhammad Abdulhamid mais uma tentativa para aniquilar o Movimento Islâmico da Nigéria (IMN, na sigla em inglês). Entre 12 e 14 de dezembro de 2015, pelo menos 348 membros daquele movimento foram mortos pelo exército. Desde essa altura, o líder, Ibraheem Zakzaky, e outros membros do IMN continuam detidos.

Organizações como a Human Rights Watch não pouparam críticas ao exército nigeraino. Segundo aquela organização de defesa dos direitos humanos, o exército terá bloqueado uma estrada importante de Zaria quando xiitas se manifestaram, sem que estivessem armados.

Uma comissão pública de inquérito viria a admitir, mais tarde, que "o exército nigeriano utilizou força excessiva". No entanto, o conflito não se resolveu, antes pelo contrário, agudizou tensões.

Movimento Islâmico da Nigéria proibido

Alem de ter visto o seu centro religioso ter sido destruído, o Movimento Islâmico da Nigéria foi proibido no estado de Kaduna, onde há mais duas organizações xiitas.

“O facto do IMN ter um braço armado que treina e de ter armas é um sinal para nós que, se não for controlado, poderá vir a tonar-se o próximo problema da Nigéria. E temos de tomar medidas para impedir que se torne num monstro”, justifica o governador Nasir Ahmad El-Rufai a decisão de proibir aquele grupo.

Nigeria Massaker in Zaria

O pastor Yohanna Buru critica a forma como o Movimento Islâmico da Nigéria tem sido tratado

Abdulhamid Bello, que pertence à direção do movimento, rejeita as acusações: “toda a gente sabe, desde a sua fundação há 40 anos, que neste momvimento não há quaisquer provas de que pegamos em armas.”

Apoio aos xiitas, que são uma minoria na Nigéria, há até do lado dos cristãos. “Não acredito que se possa dizer que são insurgentes. Um insurgente é algém que pretende derrubar um Governo para estabelecer um novo Governo baseado numa determinada ideologia. Mesmo que haja uma ideologia, é necessário haver provas. E não há provas. Não é porque uma estrada foi bloqueada que se pode dizer que são rebeldes”, afirma o pastor Yohanna Buru, que defende uma cohabitação pacífica entre muçulmanos e cristãos em Kaduna.

IMN não é Boko Haram

De facto, o IMN é muitas vezes acusado de não cumprir com as regras do Estado. Por exemplo, nunca se registou como movimento religioso, o que é obrigatório.

Nigeria Massaker in Zaria

A casa da mãe do líder do IMN foi completamente destruída

Os grupos extremistas são assim melhor identificados, advoga quem defende o registo. A falta de registo é das principais críticas do governador El-Rufai. “Se eles respeitarem a nossa Constituição e as nossas leis, como os outros não temos qualquer problema.”

Em Zaria, Abdulhamid Bello conhece as acusações e responde: “É um movimento, como o nome sugere, movimento islâmico. No movimento, há áreas que estão registadas pelo Governo, como as nossas escolas, por exemplo”. Abdulhamid Bello, dirigente do movimento, já abandonou há muito a esperança de uma resolução pacífica do conflito em Zaria. 

Fundado em 1980, o Movimento Islâmico da Nigéria integra três milhões de pessoas. Segundo a Human Rights Watch, o grupo não tem qualquer ligação com ao grupo terrorista nigeriano Boko Haram, que opera na mesma região, mas que inclusive ataca xiitas.

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