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NOTÍCIAS

Na Nigéria há quem combata o Boko Haram com arco e flecha

Nesta segunda-feira (08.12) mais 10 pessoas morreram na Nigéria em ataques do Boko Haram. Enquanto o grupo usa armas pesadas contra a população, grupos de defesa civil recorrem a "armas" simples para defender o país.

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Caçador de Adamawa, Nigéria

“Temos a capacidade de nos tornarmos invisíveis. E depois envolvemo-nos em combates corpo-a-corpo, cara a cara.” O relato é de um caçador que vive no estado de Adamawa, no norte da Nigéria.

Chamamos-lhe Yusuf para proteger a sua identidade. Yusuf é um dos muitos civis que lutam contra o grupo terrorista Boko Haram. Não dispensam os seus amuletos nem as roupas tradicionais.

“As nossas orações protegem-nos das armas. Eles, os homens do Boko Haram, aproximam-se de nós, mas sem nos verem realmente e, desta forma, conseguimos dominá-los. Os soldados dependem unicamente das armas que têm, mas nós temos outros meios para enfrentar os insurgentes", explica.

E o caçador conclui: "Por isso é que conseguimos expulsá-los da cidade de Mubi sem grandes dificuldades. Reconhecemos os membros do Boko Haram assim que os vemos.”

Yusuf costumava caçar animais selvagens. Mas quando os ataques do Boko Haram se tornaram mais frequentes e mais brutais, juntou-se à guerra de guerrilha contra o grupo terrorista.

Nigeria Soldaten Archiv 2013

O exército nigeriano não tem capacidade para travar o Boko Haram

Resposta à incapacidade do exército

Os grupos de vigilantes civis que então surgiram foram uma resposta quase espontânea das comunidades locais à incapacidade da polícia e dos militares em manter a ordem, explica Hilary Matfess, politóloga da Universidade Johns Hopkins, em Washington, nos Estados Unidos da América

Hilary Matfess também diz que é uma atitude de defesa contra o próprio exército: “O que vemos em muitos conflitos com o Boko Haram é que os militares nigerianos estão sobrecarregados militarmente e fogem. E muitas vezes a polícia tem atitudes predatórias contra civis, em vez de agir como uma força estabilizadora.”

Os jornais locais publicam fotos de caçadores que, armados só com arcos e flechas, protegem as suas aldeias contra os ataques do Boko Haram. Não têm os meios do exército nigeriano.

Usam armas de caça feitas por ferreiros locais, mas não menos eficazes, defendem os caçadores, lembrando que os animais que geralmente caçam também são mais fortes do que eles.

Nigeria Traditionelle Jäger Anti Boko Haram Kämpfer

Caçadores tradicionais que agora combatem os radicais do Boko Haram

Nigerianos confiam nos caçadores

Idris Abdullahi, um habitante de Gombi, no estado de Adamawa, não poupa elogios à iniciativa dos caçadores: “Os caçadores envolveram-se na luta contra o Boko Haram desde o início. E eles conseguem identificar quem pertence ao grupo terrorista. Os soldados também podem ser incluídos na luta contra o Boko Haram, mas para terem sucesso nesse combate contra os insurgentes têm de ser os grupos de vigilantes civis e os caçadores a abrir caminho para as florestas porque eles têm a vantagem de conhecer melhor o território, cada centímetro dele.”

O exército e o Governo estão satisfeitos com a adesão dos grupos civis à luta contra o grupo terrorista. Os vigilantes conseguiram o que o exército ainda não tinha sido capaz de fazer: libertaram as cidades de Mubi, Hong, Gombi e Maiha, no estado de Adamawa, que tinham sido ocupadas pelo Boko Haram.

Os moradores dessas cidades, que se sentem cada vez mais abandonados pelas autoridades, também confiam nos caçadores locais. E até defendem que estes deviam receber apoios financeiros para a luta contra o Boko Haram.

Ouvir o áudio 03:04

Na Nigéria há quem combata o Boko Haram com arco e flecha

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