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NOTÍCIAS

"Não há meritocracia. O que há é bajulação", criticam funcionários do Ministério Público de Angola

Foi suspensa a greve dos trabalhadores do Ministério Público angolano marcada para esta segunda-feira. Mas está prevista outra paralisação para 27 de abril, se até lá o procurador não resolver os problemas da classe.

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Foto de arquivo (de 2014)

Os funcionários da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola reivindicam melhores condições de trabalho, aumentos salariais e promoção e reconversão de categorias de riscos. Os pontos constam de um caderno reivindicativo remetido em 2014 à entidade patronal.

A greve marcada para esta segunda-feira (17.04) foi cancelada, depois de um encontro na semana passada entre o Sindicato Nacional dos Técnicos de Justiça e Administrativos da Procuradoria-Geral da República e procurador João Maria de Sousa.

Angola Elias Pinto

Elias Pinto, secretário-geral do sindicato dos trabalhadores do Ministério Público

No entanto, os trabalhadores do Ministério Público estão dispostos a convocar uma greve nacional a 27 de abril, se até lá o procurador-geral da República não resolver os problemas dos funcionários durante os dez dias de moratória que solicitou ao sindicato da PGR.

"Se não conseguirem resolver as nossas pretensões, o país estará mobilizado para esta greve", garantiu à DW África o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Técnicos de Justiça e Administrativos da PGR, Elias Pinto.

Ameaças a funcionários

Inicialmente, a PGR considerou a greve ilegal, mas, por outro lado, reconheceu a existência das queixas apresentadas pelos funcionários.

Ouvir o áudio 02:46

Funcionários do Ministério Público prometem nova greve em Angola

Segundo o sindicato, membros da organização sindical começaram a sofrer ameaças desde o momento que apresentaram intenções de paralisar os trabalhos no Ministério Público.

"Quem aderir a greve vai parar à cadeia e será descontado nos salários", conta Elias Pinto. "E quando (o procurador) diz que a greve tem pendor político também é uma ameaça", explica.

O secretário-geral do Sindicato também denuncia outro tipo de ameaças: "Alguém do pelouro do procurador já me disse: se acontecer algo quem vai perder é a tua família".

Onda de greves

Só este mês já foram convocadas três greves em Angola, todas pelos trabalhadores da função pública. A primeira, de três dias, foi realizada pelos professores, seguida da paralisação dos controladores de tráfego aéreo, que foi cancelada e por último a da PGR, também suspensa.

Lourenço Domingos, outro membro do sindicato dos trabalhadores do Ministério Público, lembra que um técnico de justiça continua a ter um salário que ronda entre os 18 mil e os 20 mil kwanzas (cerca de 101 a 120 euros).

O sindicalista afirma que os funcionários públicos em Angola não são promovidos por mérito. "Não há meritocracia. O que há é bajulação", critica. "Na PGR, temos funcionários que são auxiliares de limpeza e motoristas e que hoje em dia estão a fazer o trabalho de um técnico de justiça e ganham 18 a 20 mil kwanzas", desabafa.

 

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