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Moçambique

Mutumbela Gogo na Alemanha para homenagear Mankell

O Mutumbela Gogo voltou a pisar os palcos da Alemanha depois de cerca de quatro anos. Uma razão especial para o grupo moçambicano estar cá: homenagem ao escritor e encenador sueco Henning Mankell que morreu há um ano.

"Os meninos de ninguém" voltam aos palcos depois de mais de 20 anos. Este ano coube a vez ao público de Estugarda, na Alemanha, assistir a esta peça do maior e mais antigo grupo de teatro de Moçambique, o Mutumbela Gogo. No último fim de semana (12 e 13 de novembro) a sala do Theater Tri-bühne tornou-se pequena para tanta gente. A cada dois anos o Tri-bühne realiza um festival e a edição deste ano é em homenagem a Henning Mankell, escritor e encenador sueco, que faleceu a 5 de outubro de 2015.

Manuela Soeiro, diretora do Mutumbela Gogo

Manuela Soeiro, diretora do Mutumbela Gogo

Mankell foi um dos encenadores dos "Meninos de ninguém" ao lado de Manuela Soeiro, diretora do Mutumbela Gogo. Segundo ela,"foi uma peça em que o Henning esteve envolvido, por outro lado é uma peça carismática do grupo e quisemos, não só a nós mas as pessoas que assistiram que nós moçambicanos também queríamos de uma forma informal dizer obrigado Henning. E o grupo que trabalhou com Henning somos nós e eles [Theater Tri-bühne] pediram-nos para estar cá e participarmos desta homenagem."

Meninos de rua, um problema contínuo

A peça retrata a vida dos meninos de rua na cidade de Maputo na década de oitenta. Moçambique, sob regime socialista, vivia uma guerra civil que fez muitos órfãos e deslocados internos que deambulavam pela capital do país. A luta pela sobrevivência, a violência, os traumas e o amor são representados na peça numa perspetiva bem dura, como a situação exigia.

Edith Koerber, diretora do Teatro Tri-bühne

Edith Koerber, diretora do Teatro Tri-bühne

A diretora do Tri-bühne, Edith Koerber, explica que a peça foi escolhida para o festival porque "foi uma das primeiras encenadas pelo Henning em parceria com o Mutumbela Gogo. E o tema continua atual. E aqui na Alemanha é bem conhecido o livro dele  "Der Chronist der winde" em português o "Cronista do vento", escrito depois da encenação dos "Meninos de ninguém" que retrata a vida dos meninos de rua" e Koerber revela: "Esse é um dos meus livros preferidos do Henning Mankel".

Graça Silva é uma das atrizes do Mutumbela Gogo. Participou na sua primeira edição e mais de duas décadas depois volta a encarnar uma das personagens, Nascimento. Graça Silva não tem ilusões quanto a solução para o velho fenómeno dos meninos de rua e diz que "em termos de história não mudou nada. Os mesmos problemas que aconteciam quando fizemos a peça são os mesmos que acontecem hoje. Então, essa peça é uma história para a vida toda, é uma realidade que acredito que vai ser sempre contínua."

Graça Silva, atriz do Mutumbela Gogo

Atriz do Mutumbela Gogo, Graça Silva

Sangue novo no Mutumbela Gogo

Mas nem tudo nesta história é antigo, no Mutumbela Gogo há sangue novo. Depois de cerca de trinta anos de existência, que celebra este ano, o grupo abre as suas portas a jovens atores. Angelina Chavango faz de Rita, a menina albina da peça que é frequentemente rejeitada e alvo de troça dos outros meninos.Ela conta-nos o que significa trabalhar com o Mutumbela: "Nem sei expressar exatamente o que isso significa. Cresci a ver o Mutumbela e às vezes sonhava com as peças que passavam na publidade. E [hoje] estar a contracenar com ele é como se estivesse a realizar um sonho que não sabia que tinha. Cada dia e cada trabalho tem sido uma surpresa e tem sido estranho também pensar nessa surpresa. Um pensamento um bocadinho complicado".

Ouvir o áudio 04:44

Mutumbela Gogo na Alemanha para homenagear Mankell

E os sonhos que norteam a vida dos atores e dos personagens vão continuar a percorrer o mundo. O próximo destino dos "Meninos de ninguém" é Milão, na Itália, e por fim Lisboa, Tondela e Coimbra, em Portugal. Uma tournê que deve durar cerca de um mês.

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