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Internacional

Mundo presta homenagem a Wole Soyinka nos seus 80 anos

A obra do escritor nigeriano Wole Soyinka não pode ser reduzida a uma literatura de intervencionismo, mas a verdade é que cada livro seu é um marco contra a violência e a ditadura.

No domingo, (13.07) o autor e Prémio Nobel da Paz , Wole Soyinka, celebra o seu octagésimo aniversário. A sua profissão é a literatura. O que não impede o escritor de se pronunciar de forma determinada sobre a situação política no seu país, a Nigéria.

Quando a milícia radical islâmica Boko Haram raptou mais de 200 alunas em Abril, Soyinka disse à emissora pública britânica, BBC, que a Nigéria está num processo de redifinição e “se não encontrarmos estas crianças, a meu ver a Nigéria passa a ser um Estado sem salvação. Então terá chegado a altura de admitirmos que o país assim é ingovernável. E que seria mais simples ganhar o controlo de crises como estas se fossemos uma nação mais pequena".

Wole Soyinka (1960er)

Foto de Wole Soyinka na década de 60

Educação de cunho ocidental

Soyinka nasceu em 13 de Julho de 1934 na cidade de Abeokuta, no Sudoeste da Nigéria, a duas horas de carro da capital económica, Lagos. O seu pai, profundamente cristão, e director de uma escola, deu-lhe uma educação de cunho ocidental. Mas o futuro escritor foi igualmente marcado pelos mitos e tradições do seu povo yoruba, uma das três grandes etnias da Nigéria.

Estas influências deteminam também a sua literatura e poesia, como afirma o escritor e Prémio Nobel da Paz.: "Suspeito que sou descendente de uma longa família de "fiandeiros de palavras". Digo família no sentido mais lato, porque a família como nós a compreendemos é muito grande. Passei a infância rodeado de tias e tios, os amigos intelectuais do meu pai. E todos eles eram, de uma maneira ou de outra, contadores de histórias".

Buchcover : Wole Soyinka - Die Ausleger

Capa do livro de Soyinka "The Interpreters" (Os Intérpretes), publicado em 1965

Soyinka rejeitou sempre a retórica da guerra

Nos anos 50, Soyinka estudou Literatura inglesa na Grã-Bretanha. De regresso à Nigéria, dedicou-se ao teatro africano. E cedo tratou de combinar as tradições africanas e ocidentais com um forte empenho político. No final dos anos 60, uma crise política resultou num primeiro golpe militar e a guerra civil do Biafra, quando esta região no sudeste declarou a independência em 1967.

Wole Soyinka rejeitou sempre a retórica de guerra e empenhou-se em negociações de paz. O regime acusou-o de traição e o autor passou dois anos na prisão. Ao contrário de muitos intelectuais africanos ou afro-americanos, Soyinka sempre rejeitou responsabilizar exclusivamente as antigas potências coloniais pelos problemas do continente. Defende que os africanos são os primeiros responsáveis pelos seus problemas. E nunca hesitou em apontar o dedo a tiranos e ditadores.

Soyinka recusa ser um "autor político"

Mas apesar da política ser um dos temas da sua vasta obra, Soyinka recusa o rótulo de "autor político" e afirma: “ sou um animal político”, para acrescentar que, para ele, “a política é, acima de tudo, um dever cívico. Mas eu combinei a minha vocação artística com a paixão política". E é verdade que os livros de Soyinka se dedicam mais a examinar a sociedade e a psique da humanidade do que a actualidade política. O autor recusa uma responsabilidade especial da arte pela sociedade.

Wole Soyinka (1986)

Soyinka (dir) com o Presidente do Congo, Denis Sassou Nguesso, Presidente em exercício da Organização de Unidade Africana (1986)

Como autor literário, o nigeriano optou pela língua inglesa. A forma como representa as mais diversas e por vezes dificilmente compreensiveis tradições culturais, valeu-lhe o reconhecimento internacional. Foi o primeiro autor africano a receber o Prémio Nobel da Literatura, em 1986.

Ouvir o áudio 03:41

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