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Angola

Morte de três jovens pela polícia em Benguela está a ser investigada

Disputa de terras terá estado na origem da morte de três jovens envolvidos num tiroteio com a policia no sábado (31.10), em Benguela.

Passados quatro dias desde a morte dos três cidadãos por efetivos da policia nacional e das forças armadas angolanas, os familiares das vitimas ainda não tiveram acesso aos corpos dos seus ente-queridos.

O diretor do gabinete de estudo, informação e análise do Comando Provincial da Polícia nacional em Benguela, superintendente Vicente Nogueira, alega que os efetivos dispararam contra os populares em legitima defesa.

O incidente deu-se no bairro Viva a Paz, na cidade de Benguela, no sábado, e segundo a versão oficial das autoridades policiais e do Governo da província, a intervenção da polícia ficou a dever-se à ação de “um grupo de cerca de 100 populares que tentavam construir numa área vedada, destinada a um mercado informal”.

Os populares, na versão do superintendente, “reagiram com paus, catanas e o arremesso de pedras, levando os agentes a abrir fogo". Os disparos da policia mataram três jovens, com idades entre os 26 e os 28 anos.

Por outro lado, os que sobreviveram dizem que a policia está a mentir, “eles é que começaram a disparar sobre nós”, disse à DW África uma das testemunhas.

Advogado de defesa diz que se trata de um assassinato

Angola Anwalt David Mendes

David Mendes

As famílias das vitimas vão ser representadas pelos advogados da "Associação Mãos Livres”, David Mendes e Francisco Viena, uma organização cívica que presta apoio jurídico a pessoas com baixos rendimentos.

Em conferência de imprensa, David Mendes que manteve nesta terça-feira (03.11)uma reunião com o Procurador-Geral da República adjunto em Benguela, para falar sobre este assunto, disse estar-se diante de um assassinato protagonizado pelas forças da ordem: “Estamos numa situação em que a policia e o exército estão envolvidos num crime de assassinato. Isso não pode ficar impune, caso contrário vai começar a existir outros casos.”

O advogado e dirigente da associação acusou as autoridades policiais de pretenderem forjar provas para sustentar a tese de legítima defesa,"agora a polícia está a dizer que foi em legítima defesa, não houve legitima defesa.” Está-se a passar uma versão diferente dos factos, segundo o advogado “a polícia é que foi ao local impedir as pessoas de trabalharem nas construções que estavam a ser erguidas.”

Mendes estranha ainda a presença dos efetivos das Forças Armadas Angolanas no local do incidente: “Questões de litígio não justificam a utilização de armas de fogo porque a administração tem mecanismos de embargo de obras que é frequente aqui nesta província. Não é exceção. Então como vão justificar a intervenção dos militares? Esses militares não estavam mandatados,” conclui o advogado.

Ouvir o áudio 02:59

Morte de três jovens pela polícia em Benguela está a ser investigada

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