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Moçambique

Moradores de Tofo em Moçambique transformam lixo em artesanato

Com tampas de garrafas e restos de capulanas, grupo confecciona brincos, bolsas e peças de jantar. A Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) deu o primeiro passo para que os produtos cheguem à Europa.

Um grupo de dez moradores tem mudado o destino do lixo na Praia de Tofo, província de Inhambane, no Sul de Moçambique. Preocupada com o aumento da poluição em um dos principais pontos turísticos do país, a Associação de Limpeza e Meio Ambiente (ALMA), criou um projeto de reciclagem e artesanato em 2007.

O dinheiro da venda dos artigos de artesanato é revertido aos trabalhadores locais que produzem as peças. “Também nos dedicamos à limpeza da praia. A primeira intenção é deixar a área de Tofo limpa e, depois, conseguir viver do que nós produzimos”, conta o moçambicano Reginaldo Nhanombe, um dos coordenadores do trabalho.

Ausstellung GIZ Kunsthandwerk aus Mosambik

Bases de panela feitas com tampas e capulanas

São vários os produtos confecionados na ALMA. Os brincos são feitos com tampas de garrafa e restos de capulana. Com o tecido, os moradores também produzem bolsas e, com aneis de lata e crochê, confeccionam bases de copo e pequenas carteiras. As esteiras de mesa são feitas com pacotes de salgadinho.

“As tampas que nós usamos para fazer as bases são apanhadas nas lixeiras. Nós também procuramos costureiros para nos dar os retalhos de capulana. Compramos apenas a linha e a agulha”, conta Reginaldo Nhanombe.

Venda no mercado internacional

A ALMA recebe o apoio da GIZ, a Agência Alemã de Cooperação Internacional. Segundo Richard Ratka, que coordena o programa de cooperação, o principal desafio é criar uma linha de produção profissional. “Precisamos ser mais rigorosos na produção e na venda dos artigos de artesanato. Os produtos são bons, mas precisam ser confeccionados em tempo e de forma continuada”, afirma.

Ausstellung GIZ Kunsthandwerk aus Mosambik

Esteira de mesa feita com pacotes de salgadinho

Para Débora Rinaldi, da GIZ, a principal dificuldade do projeto é vender os produtos em Inhambane. “O público é geralmente de turistas. Os moradores de Tofo não consomem esses artigos. Esse foi um dos motivos por que decidimos vender os produtos na Alemanha”.

Em dezembro do ano passado, a agência organizou uma pequena feira na sede da entidade, na cidade de Bonn, na Alemanha. O objetivo é ampliar os pontos de venda.

Richard Ratka GIZ

Richard Ratka, da GIZ


“A ideia é que iremos continuar a vender esses produtos, por exemplo, em algum bazar durante o verão europeu. Por outro lado, também queremos incentivar a organização a encontrar outros meios de revender o artesanato de Tofo”, diz Débora Rinaldi.

A maioria dos moradores da Praia de Tofo que trabalha no projeto da Associação de Limpeza e Meio Ambiente vive apenas do artesanato.

Ouvir o áudio 02:44

Moradores de Tofo em Moçambique transformam lixo em artesanato

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