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Mondlane firme na sua vontade de ser presidente da RENAMO

22 de março de 2024

A RENAMO anunciou a marcação do seu congresso para os dias 15 e 16 de maio. A decisão surge depois de um acordo entre a liderança do maior partido da oposição e Venâncio Mondlane, cabeça de lista por Maputo.

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Venâncio Mondlane, presumível candidato à presidência da RENAMO
Venâncio Mondlane, presumível candidato à presidência da RENAMOFoto: Silaide Mutemba/DW

O presidente da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Ossufo Momade, anunciou esta sexta-feira (22.03) a realização de um congresso para escolher o candidato presidencial do principal partido da oposição nas eleições de 9 de outubro.

A decisão foi tomada depois de o cabeça de lista por Maputo nas últimas eleições autárquicas, Venâncio Mondlane, ter submetido uma providência cautelar num tribunal da capitalcontra Momade, exigindo a realização do congresso. O assunto não foi julgado, porque, segundo Mondlane, houve um acordo entre a liderança da RENAMO e ele próprio.

"Houve um acordo. Isso aconteceu durante a sessão [de audição no tribunal]. Não houve um contacto direto [com Ossufo Momade], mas a partir do seu mandatário", explicou à DW África.

"Mantenho-me firme nas minhas convicções"

Com as datas já marcadas para o congresso, Venâncio Mondlane reitera a sua vontade de concorrer à presidência do maior partido da oposição: "Mantenho firme o meu posicionamento de candidatar-me à presidência da RENAMO. Eu inclusivamente tinha apresentado o manifesto eleitoral na minha primeira aparição em Nacala [província de Nampula], a 12 de janeiro", acrescentou.

Venâncio Mondlane (à esquerda) tem criticado sucessivas vezes Ossufo Momade, atual líder da RENAMO (à direita)
Venâncio Mondlane (à esquerda) tem criticado sucessivas vezes Ossufo Momade, atual líder da RENAMO (à direita)Foto: Roberto Paquete/DW // Amos Fernando/DW

"Mantenho-me firme nas minhas convicções e no meu interesse em candidatar-me à presidência da RENAMO", sublinhou à DW.

Ao abrigo do acordo para a realização do congresso, será criado um gabinete de preparação do evento. "Este gabinete vai marcar o calendário eleitoral até à eleição", indicou o presumível candidato.

"Em função disso, vamos avançar para a campanha; vamos avançar para detalhar o manifesto que temos até este momento", referiu. "Apresentei o manifesto, mas de uma forma muito superficial. A partir do momento em que for definido o calendário eleitoral, vamos apresentar o nosso manifesto com detalhes", garantiu.

Necessidade de reformas

Venâncio Mondlane justificou a sua vontade de candidatura à presidência daquela força partidária com a necessidade de realizar reformas em prol da "modernização da RENAMO".

Urna nas eleições gerais de Moçambique em 2019
Moçambique vai a votos a 9 de outubro de 2024 para escolher o próximo Presidente da República, Parlamento e lideranças provinciaisFoto: GIANLUIGI GUERCIA/AFP/Getty Images

"A RENAMO está a precisar de uma espécie de recredibilização", disse. "A marca RENAMO é muito valiosa e tem de ganhar algum impulso adicional. Tenho ideias sobre a situação dos desmobilizados", partilhou.

Elias Dhlakama, membro do Conselho Nacional e quadro sénior da RENAMO, também tem criticado Ossufo Momade publicamente. "Com o general Ossufo Momade, estamos a ter baixas e ele não está a aperceber-se disto", comentou.

"Em 2018, tivemos oito municípios e não foram do general Ossufo Momade, foram [responsabilidade da] organização deixada por Afonso Dhlakama", referiu. "O primeiro teste de Ossufo foi em 2019 e a RENAMO não conseguiu eleger um único governador. Tinha 89 deputados e perdemos 29 deputados, ficando com 60", criticou.

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