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Moçambique

Momentos dramáticos em Moçambique devido às cheias

A intensidade das chuvas no centro e no norte do país levou o Conselho de Ministros de Moçambique a decretar "alerta vermelho institucional". O número de desalojados no distrito de Mocuba já subiu para 19 mil famílias.

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Transbordo do rio Licungo no distrito de Mocuba, a norte da província da Zambézia (foto cedida pelo jornal @Verdade, parceiro da DW)

Chuvas torrenciais em Moçambique destruíram casas, pontes, propriedades agrícolas e alguns rios transbordaram provocando desaparecidos e mortes. Na cidade de Maputo, algumas famílias afectadas pela catástrofe tentam agora evitar que o cenário piore.

Francisco Gouveia vive no bairro de Zimpeto, mais a norte de Maputo. De pá na mão, tenta desesperadamente colocar entulho nas ladeiras da sua casa que a qualquer momento pode ir abaixo. “É muito lamentável a situação em que se encontra a minha casa. Não tem nenhum suporte. Tudo pode desabar”, conta.

A chuva abriu uma enorme cratera de mais ou menos três metros. São necessárias máquinas pesadas para evitar o pior caso volte a chover. E só o município pode resolver o problema, “embora isso não esteja a acontecer”, afirma Francisco Gouveia.

“A cratera surgiu há algumas semanas à noite e logo no dia seguinte contactei as autoridades locais que apareceram aqui dois dias depois. Viram, filmaram e fizeram todos os levantamentos e disseram-me que íam fazer uma coisa de emergência”, conta o morador.

As ruas do bairro das Mahotas, mais a leste da capital, estão intransitáveis. Os residentes juntaram dinheiro para alugar máquinas a fim de colocar barreiras. Rosa está indignada com o município. “As autoridades locais ainda não nos deram uma resposta. Pelo menos para procurar máquinas para remover a areia para nos ajudarem e então fizemos um gesto e com isso esperávamos que o município pudesse de facto fazer alguma coisa”.

Chuvas torrenciais em quase todo o país

Regenfälle in Mosambik

População do distrito de Mocuba vítima das cheias (foto cedida pelo jornal @Verdade, parceiro da DW)

Na província central da Zambézia, na sequência do transbordo do rio Licungo, a ponte que permite a ligação com a região norte do país desabou, fazendo com que centenas de pessoas ficassem retidas devido ao corte da principal estrada que liga o centro e o norte de Moçambique em Mocuba.

O caudal do rio Licungo, que corta a meio a cidade de Mocuba, transbordou na segunda-feira (12.01), ao atingir 12 metros de altura, seis metros acima do nível de alerta máximo, arrastando milhares de casas e destruindo várias parcelas agrícolas.

O número de pessoas desalojadas devido às cheias no distrito de Mocuba subiu na terça-feira (13.01) para 19 mil famílias e centenas de pessoas mantêm-se no topo das árvores e tetos de casas.

Dezoito crianças foram dadas como desaparecidas, supostamente arrastadas pelas águas do rio Licungo.

"Alerta vermelho" decretado

Rita Almeida, do Instituto de Gestão de Calamidades prometeu, há dias, criar condições para acomodar mais de duas mil pessoas afectadas, na região de Mocuba, na província da Zambézia.

“Vínhamos gerindo toda essa situação num nível de alerta elevado, mas agora esse nível de alerta foi aumentado, o que significa maior atenção em termos de monitoria dos eventos, o sistema de aviso prévio, o pré-posicionamento de meios e também uma maior aproximação com as comunidades principalmente as que se encontram nas zonas mais vulneráveis”, explica.

Ouvir o áudio 02:25

Momentos dramáticos em Moçambique devido às cheias

A intensidade das chuvas no centro e norte de Moçambique levou na segunda-feira (12.01) o Conselho de Ministros a decretar "alerta vermelho institucional", por considerar que a situação é "muito crítica”.

A província da Zambézia começou a registar chuvas intensas desde sábado (10.01), esperando-se nas próximas duas semanas uma precipitação acima do normal, segundo as previsões da Administração Regional de Águas do Centro (ARA-Centro), alertando para o risco de travessia de rios.

As autoridades já lançaram apelos para a população deixar as zonas propensas a cheias e inundações ao longo do curso do Licungo, incluindo nas planícies adjacentes ao rio nas regiões de Nante, Vila Valdez, Yassopa, Munda-Munda e Ntabo (Maganja) e Furquia, Nbaua, Muebele e Malei (Namacurra), largamente afetadas pelas cheias registadas em 2014.

Inundações no Malawi

No Malawi, também a população vive momentos dramáticos. Pelo menos 48 pessoas morreram devido às chuvas torrenciais dos últimos dias.

O Presidente Peter Mutharika lançou um apelo à ajuda humanitária internacional para socorrer nomeadamente 70 mil pessoas que ficaram desalojadas com a destruição provocada pelas chuvas.

Quinze dos 28 distritos, principalmente no sul do Malawi, foram afetados pelas inundações causadas por chuvas torrenciais que afetam a região austral de África.

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