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Moçambique

Moçambique: Refugiados queixam-se das condições do Centro de Maratane

No norte de Moçambique, os refugiados no Centro de Maratane queixam-se que há falta de alimentos e de água potável. E esses não são os únicos problemas.

A comida está toda contada no Centro de Refugiados de Maratane. Cada família tem direito a receber, por mês, nove quilos de milho e feijão e meio litro de óleo alimentar, entre outros produtos. Mas os refugiados queixam-se que não estão a receber comida suficiente. Ibocwa Erick é um deles: "O que nós esperamos não tem sido o mesmo. Dizem que vamos receber nove quilogramas [de produtos], mas chegada a hora dão-nos sete quilogramas e sempre reclamamos mas não há mudanças."

Ibocwa Erick conta que, às vezes, passam vários meses sem receber comida: "Alimentamo-nos com o pouco que recebemos. É normal receber produtos num mês para ficarmos mais dois ou três meses, isso faz com que a nossa vida volte atrás."

Erick, de 31 anos, fugiu da violência na República Democrática do Congo com a esposa e os três filhos. A família vive agora no Centro de Maratane com outros 12 mil refugiados, oriundos não só da República Democrática de Congo, mas também do Burundi, Ruanda, Somália e Etiópia.

Consumo de água salgada

Ouvir o áudio 03:18

Moçambique: Refugiados queixam-se das condições do Centro de Maratane

Outro dos problemas no centro, conta o refugiado, é a falta de água de qualidade: "Água da torneira [canalizada] fica dois ou três meses sem sair e usamos ‘puxapuxa' [água do poço] e essa água é salgada e não é boa para beber. É verdade que nos tem criado diarreias, mas nós já nos habituámos porque não temos alternativa."

Atualmente, há 12 bombas de água manuais e tanques. Mas a administração do Centro de Refugiados diz que está a ser construído um tanque maior, com nove metros de altura, para que não haja falta de água.

Outros refugiados queixam-se da morosidade no processo de requerimento de asilo. Juma Balossi, de nacionalidade congolesa, diz que está no centro desde o final de 2011, mas ainda não conseguiu os documentos e por isso faz um apelo: "Estamos a pedir ao Governo de Moçambique que se esforce para nos reconhecer, para sermos considerados [legalmente] refugiados, para termos muitas oportunidades, porque agora não há maneira."

Os refugiados denunciam casos de pessoas que pediram asilo há mais de dez anos e ainda não tiveram resposta das autoridades.

Administração do Centro de Maratane garante que Governo faz o que pode

Flüchtlingslager Maratane

Centro de Refugiados de Maratane, Nampula

O administrador do Centro de Refugiados de Maratane, António Luís Gonzaga, garante, no entanto, que o Governo e os parceiros têm feito de tudo para resolver os problemas dos refugiados.

Gonzaga diz ainda que, da sua parte, não há morosidade na emissão de documentos: "Os documentos neste momento estão em processo [de emissão], ele [refugiado] regista-se segunda-feira e sexta-feira já tem, temos uma máquina eficiente que está a produzir documentos em pouco tempo."

Sobre a falta de alimentação, o administrador refere que o Governo moçambicano tem dado o que pode. Diz ainda que o Executivo ofereceu sementes aos refugiados para que eles possam cultivar os seus próprios alimentos.

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