Moçambique não regista há um ano casos de rapto ou assassinato de albinos | Moçambique | DW | 13.06.2018
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Moçambique

Moçambique não regista há um ano casos de rapto ou assassinato de albinos

Dia Internacional para a Consciencialização do Albinismo, uma data instituída pelas Nações Unidas, celebrada este ano (13.06) sob o lema "brilhando a nossa luz para o Mundo”.

Mosambik - Kampagne Albinismus (DW/L. Matias)

Foto de arquivo: Crianças albinas em Manica (2017)

Moçambique não registou nenhum caso de rapto ou assassinato de pessoas albinas nos últimos 12 mêses, depois de um período negro em que se assistiu a uma escalada de violência. Só em 2015 tinham sido registados cerca de 60 casos.

Lourenço Timba, é o Presidente da Associação de proteção das pessoas com albinismo "Defendendo os nossos direitos", ao considerar que se trata de um "bom indicador" acrescentou que "nos últimos tempos não temos recebido queixas nesse sentido. E no último encontro que tivemos com a Comissão multissetorial do Governo não tivemos a indicação de algum caso registado. Pelo menos até ao momento esta situação parou".

Aly Faque Albino-Musiker in Mosambik (Carlos Litulo)

Aly Faque, músico moçambicano

Recorde-se que os raptos e assassinatos de pessoas com albinismo eram praticados por indivíduos que acreditam que poções ou amuletos produzidos a partir de partes do corpo de pessoas albinas têm poderes mágicos.

Resposta enérgica à violência bruta

O escritor Mia Couto, que é igualmente membro da Comissão de Honra da Associação Kanimambo, recorda que os preconceitos transformaram-se depois numa forma de violência bruta. Aponta, porém, que houve uma resposta enérgica masfalta ainda muito para fazer.

"Em Moçambique houve pessoas presas até levaram penas muito pesadas. Isto pode ser um princípio para mostrar que há uma autoridade, que há um poder que não aceita esse tipo de discriminação".

O Governo aprovou em 2015 um plano multissetorial para combater a violência contra a pessoa albina. O plano prevê, entre outras medidas o reforço da consciencialização das populações e maior celeridade na tramitação dos processos relacionados com esses casos.

Discriminação e exclusão

Para Lourenço Timba, a discriminação e a exclusão constituem, neste momento, algumas das principais preocupações das pessoas albinas.

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Moçambique não regista há um ano casos de rapto ou assassinato de albinos

"A maior dificuldade é o acesso a educação porque o facto dos albinos terem problemas de miopia continua a ser um entrave estudar de forma fácil. Também temos questões de emprego em que as pessoas se queixam da falta de oportunidades de trabalho. Na área da saúde pelo menos nos últimos tempos tivemos uma ajuda do Governo em que os associados podem ter alguns produtos que ajudam na proteção da pele a um preço aceitável".

Moçambique tem cerca de 20 mil pessoas com albinismo, 70% das quais são crianças, adolescentes e jovens, de acordo com dados oficiais.

As celebrações desta quarta-feira (13.06) do Dia Internacional para a Consciencialização do Albinismo foram marcadas pela realização de palestras, debates e exposições fotográficas sobre o dia a dia da pessoa albina.

Em Maputo a organização portuguesa Kanimambo completou a oferta de 90 óculos graduados a pessoas com albinismo que beneficiaram o ano passado de consultas gratuitas de oftalmologia numa iniciativa daquela ONG.

Margarida Carneiro é a Presidente da "Kanimambo" (obrigado) e disse à DW que "temos um grande trunfo na manga que queremos ver se concretizamos que é repetirmos em setembro a segunda missão de oftalmologia, mas queremos lançar também a primeira missão de dermatologia. Queremos atingir as 200 pessoas se for possível", concluiu.

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