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Moçambique

Moçambique: Conflito pós-eleitoral não termina com eleição de governadores

Académicos e religiosos da província moçambicana da Zambézia duvidam que mesmo a eleição de governadores seja suficiente para acabar com a tensão pós-eleitoral no país.

Mosambik Quelimane (DW/J. Beck)

Cidade de Quelimane, capital da Zambézia

Afonso Dhlakama, líder do maior partido da oposição em Moçambique (RENAMO), anunciou recentemente um acordo com o Presidente Filipe Nyusi sobre a eleição de governadores provinciais já nos próximos pleitos. Oficialmente, o chefe de Estado moçambicano ainda não se pronunciou sobre esta que é uma antiga reivindicação da RENAMO. Mas na província da Zambézia, centro do país, académicos e religiosos duvidam que mesmo a eleição de governadores seja suficiente para acabar com a tensão pós-eleitoral em Moçambique.

Tal como houve desentendimentos em relação aos últimos pleitos eleitorais, em 2013 e 2014, entre o Governo da FRELIMO e a RENAMO, o académico Quincardete Paulo não acredita que a possível eleição de governadores ditará o fim da tensão política em Moçambique.

Ouvir o áudio 02:57

Moçambique: Conflito pós-eleitoral não termina com eleição de governadores

"Manter estável o país, não posso crer. Isso vai trazer mudanças na governação do país, que nos últimos 40 anos nunca conheceu. Governadores indicados por meio de eleições será difícil que isso seja aceite. Primeiro tem que se pensar como será a prestação de contas? Quem será o responsável pelas contas? E como é que esses vão coordenar para que as contas sejam certas uma vez que serão governadores de partidos diferente? Eu não creio com tanta segurança", afirma Quincardete Paulo.

Opinião semelhante tem um outro académico. Para Manuel de Morais "tudo isto está dentro das politicas de descentralização, mas tudo depende como isso vai ser feito. Não estou a ver que seja só com a nomeação dos governadores que isso vai acabar, isso vai além da nomeação.”

Mosambik Lehrer Manuel de Morais (DW/M. Mueia)

Manuel de Morais

Ouvir opiniões contrárias

Já o Padre Juvencio Kulibena tem as suas dúvidas:

"Pode acontecer que haja paz ou pode ser que não traga paz. Isso depende de como a administração vai ser efetuada em cada província governada por um partido. Enquanto um governa, o outro vais-se sentir descontente pela política de outro e cria um mal-estar e obstáculo. Isso irá desencadear conflitos também, mas isso também depende da abertura, muitas vezes o que nos estraga é não ouvir opiniões contrarias”

Muitos cidadãos na província da Zambézia, centro de Moçambique, ficaram entusiasmados e surpreendidos quando, recentemente, o Presidente da República Filipe Nyusi alertou para que as Forças de Defesa e Segurança se preparassem para as mudanças que irão acontecer nas fileiras, depois de acordos entre o Governo e a RENAMO. Para  Manuel de Morais. "o discurso do Presidente da República foi bastante didático e eloquente e eu gostei. Iso leva-me a crer que temos que nos preparar para mudanças.”

Mosambik Priester Jucelino Kulibena (DW/M. Mueia)

Padre Jucelino Kulibena

Segundo o padre Juvencio Kulibena, o discurso do chefe do Estado revela coragem e inclusão social dos que estavam esquecidos pelo Estado moçambicano. "Pode ser que ele tenha desenhado uma política e maneira de governar para integrar na sua governação aqueles que se sentiam afastados e marginalizados por terem opiniões contrárias à maneira de governar da FRELIMO.”

Acordo poderá levar muitas pessoas às urnas

Cidadãos ouvidos pela DW África acreditam que consumação de um acordo entre a RENAMO e o Governo da FRELIMO poderá levar muita gente às urnas, reduzindo a abstenção na província da Zambézia nas próximas eleições autárquicas marcadas para 2018 e as gerais de 2019.

Segundo o secretariado da Administração Eleitoral da Zambézia, nas eleições gerais de 2014 registou-se uma abstenção superior a 60%, uma situação que preocupa o Diretor do STAE  daquela província moçambicana, Luís Cavalo,

"Estamos preocupados. É verdade que há muitas abstenções na Zambézia. Nós vamos intensificar a campanha eleitoral para vermos se conseguimos reduzir esta cifra”, concluiu.


 

 

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