Moçambique combate propagação do vírus da Sida no interior das cadeias | Moçambique | DW | 06.01.2018
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Moçambique

Moçambique combate propagação do vírus da Sida no interior das cadeias

Em Moçambique, há cerca de 19 mil reclusos nos vários centros prisionais do país. Destes, mais de 4500 estão infetados com HIV/SIDA e outros 250 sofrem de tuberculose.

Na província de Manica, a Penitenciária Regional Centro possui 364 reclusos em tratamento antirretroviral. O objetivo é evitar novas transmissões do vírus da imunodeficiência humana (HIV) entre reclusos.

Com apoio da organização não-governamental Pathfinder, o estabelecimento prisional de Manica tem estado a desenvolver atividades de sensibilização no interior da cadeia. Vários funcionários já receberam formação para difundirem mensagens de prevenção contra o HIV/Sida.

Mendes Araujo (DW/B. Jequete)

Mendes Araújo, diretor da Penitenciária Regional do Centro, em Manica

"O que acontece é que uns vêm já contaminados com a doença, iniciam o tratamento e quando saem chegam à sociedade e deixam a linha [de tratamento] normal”, relata Mendes Araújo, diretor da Penitenciária Regional do Centro, em Manica.

"São esses que muitas vezes não ficam mais do que três ou quatro meses lá fora e acabam por provocar outro crime, voltam e já tinham interrompido o tratamento contra o HIV/SIDA. Começam da estaca zero, o que significa que quem interrompe por um período e depois dá continuação fica com o seu estado de saúde comprometido. Quando há uma recaída, costuma ser fatal”, explica.

Reclusos também recebem formação

Em Manica, as ações de formação também chegam à população prisional. Pelo menos 12 reclusos tiveram aulas sobre doenças infeto-contagiosas e agora promovem palestras de sensibilização para encorajar os colegas a ter comportamentos de prevenção e a fazer o teste do HIV/Sida. Caso tenham o vírus, aconselham-nos a avançar para o tratamento antirretroviral.

"A missão destes ativistas e educadores é sensibilizar os demais para que tenham todo o cuidado, de modo a evitar a doença do HIV/SIDA e tantas outras que acabam por ser fatais”, diz.

Domingos Muanquina

Domingos Muanquina, diretor-geral do Serviço Nacional Penitenciário

Em todo o país, foram registados pelo menos dois mil novos casos de HIV/Sida dentro das prisões. Só na penitenciária de Manica há mais de dois mil reclusos e destes cerca de duzentos estão infetados com o HIV/SIDA. Em 2017, a doença fez 18 vítimas mortais entre os detidos.

Segundo o diretor-geral do Serviço Nacional Penitenciário, Domingos Chame Muanquina, o número tende a aumentar, ano após ano, facto que preocupa as autoridades moçambicanas.

"As doenças transmissíveis constituem o principal problema de saúde na área penitenciária, condicionada em grande medida por [aspetos] determinantes na saúde do recluso, como por exemplo a superlotação, a degradação das infraestruturas, a baixa cobertura assistencial médica e medicamentosa e as deficientes condições de higiene", admite.

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