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Moçambique

Moçambique: Assassinos de "careca" estão presos

Na província do Niassa, norte de Moçambique, a polícia deteve três indivíduos acusados de assassinarem um homem careca, que foi degolado. As autoridades estão preocupadas e pedem ajuda.

Foi a polícia que encontrou a cabeça do homem de 60 anos de idade do povoado de Mpua, no distrito de Mecanhelas. Segundo Alves Mate, porta-voz da Polícia da República de Moçambique no Niassa, os três indivíduos mataram o cidadão com catanas.

Alves Mate

Alves Mate, porta-voz da polícia

"O caso ocorreu quando a vítima estava a dormir na varanda da sua casa, onde foi surpreendido por esses bandidos. Sequestraram-no e levaram-no para a mata daquele povoado onde seria assassinado. Esses indivíduos decapitaram a vítima e levaram a cabeça com eles", disse o porta-voz. Os suspeitos foram detidos pela polícia. Alves Mate diz que a detenção só foi possível graças a denúncias dos populares.

"Na verdade eles ainda não confessaram, ainda estamos a trabalhar com eles mas, segundo informações na nossa posse, de acordo com indícios e depoimentos recolhidos aqui a perseguição de pessoas carecas é motivada pelas crenças praticadas com ossadas e outras partes do corpo humano que são usadas em rituais porque supostamente atraem riqueza."  

Primeiro caso do género

Sarmento Barcelar

Sarmento Barcelar, ativista

Este é o primeiro caso do género na província de Niassa, mas não é o único em Moçambique. No país, já houve registo de outros ataques. Algumas comunidades acreditam que os órgãos de um homem careca têm poderes sobrenaturais. Por isso, as pessoas calvas são perseguidas, à semelhança dos albinos.

Sarmento Bacelar, advogado e ativista dos direitos humanos, sublinha que isto é inaceitável e que é preciso fazer mais para travar este fenómeno.

Ouvir o áudio 02:23

Moçambique: Assassinos de "careca" estão presos

"Esse tipo de situações não tem nenhuma diferença com o que aconteceu há  um ano ou dois anos atrás. A sociedade deve evidenciar todos esforços com vista também estancar esse mal como lidou com as questões ligadas ao albinismo porque esses cidadãos primeiro são moçambicanos, são africanos e fazem parte deste mundo. Eles são iguais a qualquer um de nós", sublinha Bacelar.    

Para solucionar esses problemas o porta-voz da polícia no Niassa, Alves Mate, pede ajuda às comunidades. "Este é um caso preocupante, e pelo facto temos tido reuniões de ligação entre a polícia e a comunidade. Estes encontros estão a ser realizados ao nível de todos distritos e aqui na cidade de Lichinga temos apelado às  comunidades para colaborem com a polícia denunciado casos de género ou qualquer outro porque a situação é precoupante".

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