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Moçambique

Moçambicanos que vivem do lixo

Desde crianças a anciãos, são muitas as pessoas que procuram comestíveis na lixeira de Chimoio, no centro de Moçambique. Para elas, é uma questão de sobrevivência.

Zito vasculha o lixo com a irmã, Rozinha Armandinho, de cinco anos. Os menores órfãos vivem com a avó, que tem dificuldade em movimentar-se. "Estou a apanhar este milho para moer e fazer massa. Em casa não tem milho e nem farinha, por isso nós apanhamos esse milho", disse Zito à DW.

Há famílias em Chimoio dependentes de resíduos para sobreviver. Todos os dias, crianças e adultos procuram alimentos descartados por quem tem mais posses. 

Os filhos por alimentar

Com cinco filhos sem pai para alimentar, todos os dias Julieta Francisco Buabua escala a lixeira municipal de Chimoio para recolher os cereais que aí são depositados. "Nós vimos aqui apanhar milho para conseguirmos sobreviver com as crianças”, diz Julieta Buabua, que não tem terra para cultivar. "Estou a sofrer, não tenho dinheiro e não tenho como viver e não tenho o que dar às crianças”.

Alte Frau mit Sieb und im Müll gefundenem Getreide

Moçambicanos de todas as idades dependem do que encontram na lixeira para sobreviver

As famílias pedem apoio ao governo em géneros alimentícios ou uma cesta básica, porque dizem não ter comida em casa. Faustina Zagado Guia, mãe de sete filhos, lamenta a falta de apoio das autoridades governamentais.

"Algumas pessoas aqui não têm marido. Havemos de fazer como?", pergunta. Pelo menos na lixeira ainda vão encontrando alguns grãos de milho para alimentar as crianças, diz Faustina Guia. E acrescenta que nem vale a pena pedir ajuda às autoridades.

Pedido de ajuda às autoridades

A lixeira é explorada por pessoas de todas as idades. Pina Bonde Felizberto, de 66 anos, prefere procurar alimentos entre o lixo a ficar em casa. Outras pessoas, conta, vão à noite pedir ajuda aos vizinhos.

Ouvir o áudio 02:56

Moçambicanos que vivem do lixo

"Mas nós não. Apanhamos o lixo, selecionamos o milho e levamos para casa para dar de comer às crianças", diz. Mas também Pina Felizberto diz que gostaria de ter ajuda do governo.  

Apesar de reconhecerem que os produtos estão deteriorados e misturados com outros resíduos, como areia e farelo, o que lhes poderá causar problemas graves de saúde, estes cidadãos dizem que não vão podem deixar de ir à lixeira – é uma questão de sobrevivência.

Município não quer cidadãos dependentes de caridade

O vereador para a área de Saúde, Mulher e Ação Social no Conselho Municipal de Chimoio, Manuel Mussalafo, disse que têm sido levadas a cabo campanhas de sensibilização no sentido de as comunidades praticarem atividades de geração de renda. 

Manuel Mussalafo (DW/B. Jequete)

O vereador Manuel Mussalafo diz que a prioridade é dar aos cidadãos meios de subsistência próprios

"Temos mobilizado essas pessoas com vista a realizarem uma atividade de rendimento, como um negócio ou o cultivo de uma machamba", exemplifica. 

Mussafalo diz que só excepcionalmente e em casos específicos são distribuídos produtos alimentares pelas famílias carentes. Mas o objetivo é "garantir que estas famílias tenham uma forma de subsistência sustentável e que não dependam apenas dos donativos do Conselho Municipal ou outra entidade", disse.

Mas enquanto não se resolve a situação das centenas de famílias carentes que sobrevivem do lixo, elas continuam a chegar de diversos pontos de Chimoio e Vanduzi como Dongo, Agostinho Neto, 25 de Junho, Piloto, Nhamatsane, Chicacaure e Tembwe.

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