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Internacional

Missão da ONU no Saara Ocidental completa 25 anos sob risco de extinção

Desacordo entre ONU e Marrocos coloca em perigo a continuação da MINURSO, depois de Ban Ki-moon ter descrito a presença de Marrocos como "ocupação". Governo e milhões de marroquinos responderam com protestos, em Rabat.

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Soldados franceses da missão da ONU no Saara Ocidental

O Saara Ocidental é uma região controlada e administrada por Marrocos desde a Marcha Verde, protestos realizados em 1975 que forçaram a Espanha a deixar o território. Depois de anos de guerra civil com o movimento político-revolucionário em favor da autonomia da região, a Frente Polisário, apoiada pela Argélia, em 29 de abril de 1991 foi instalada lá uma missão da ONU.

A Missão das Nações Unidas para o referendo no Saara Ocidental (MINURSO) deveria preparar o referendo sobre a quem o Saara Ocidental pertence. Mas o referendo nunca aconteceu e um profundo desacordo entre a ONU e Marrocos coloca em perigo a continuação da missão, constituída por 245 militares e apoiantes civis.

Westsahara UN MINURSO Stützpunkt

Carro do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Monn, ao entrar na base da organização no Saara Ocidental, em março

O motivo: o secretário-geral da organização, Ban Ki-Moon descreveu recentemente a presença de Marrocos na região como "ocupação".

De acordo com os números oficiais, três milhões de pessoas participaram nos protestos contra as declarações de Ki-moon, na capital marroquina, em meados de março. Rabat foi tomada por um mar de bandeiras vermelhas, cartazes e pessoas de todas as classes sociais e partidos.

Em Marrocos, o Saara Ocidental, região controlada e administrada pelo país, é chamado de Províncias Meridionais ou Províncias marroquinas do Saara. Uma área instável há mais de 40 anos. A região é rica em fosfato, abundante em peixes e tem potencial turístico, que Marrocos quer explorar.

Os representantes da Frente Polisário, apoiada pela Argélia, queixam-se de não beneficiarem da riqueza de seu país, de estarem sob pressão e de violações dos direitos humanos.

Nova crise diplomática

A mais recente crise envolvendo a MINURSO começou com uma visita do secretário-geral da ONU aos campos de refugiados em Tindouf, na Argélia. Cerca de 90 mil pessoas do Saara Ocidental estão lá, expostas à miséria. Ban Ki-moon instou veementemente ao progresso no diálogo entre a Argélia e o Marrocos.

Algerien Flüchtlinge aus der Westsahara

Refugiados do Saara Ocidental na Argélia

"As partes envolvidas no conflito do Saara Ocidental não fizeram qualquer progresso real nas negociações para encontrar uma solução política justa, duradoura e mutuamente aceitável", criticou.

O secretário-geral da ONU falou ainda em "ocupação" do Saara Ocidental por Marrocos. Samir Bennis, editor-chefe do portal Moroccoworldnews em Rabat, defende que o uso desta palavra ultrapassa os limites.

"O uso da palavra 'ocupação' é uma violação do direito internacional, das práticas da ONU e do mandato que o Conselho de Segurança conferiu a Ban Ki-moon," considerou.

Em vias de extinção

Após o escândalo com a ONU, Marrocos expulsou mais de 80 civis da missão da ONU, rescindiu o apoio militar aos capacetes azuis no Saara Ocidental e ameaçou retirar seus soldados também de outras missões de paz das Nações Unidas.

Em declarações à Al Jazeera, o ex-observador militar da MINURSO, Christos Tsatsoulis, disse considerar que "o apoio provido pelo Governo de Marrocos à MINURSO é absolutamente vital. Se o Governo realmente retirar esse apoio, não estou certo de que a missão da ONU no Saara Ocidental possa continuar a existir".

Ouvir o áudio 03:01

Missão da ONU no Saara Ocidental completa 25 anos sob risco de extinção

O rei de Marrocos não aceitou o pedido de desculpas de Ban Ki-moon, em que o secretário-geral da ONU declarou ter sido mal interpretado. Um fiasco diplomático para a ONU, que ainda este mês tem que definir sobre o prolongamento da missão no Saara Ocidental.

Parceiros de Marrocos, incluindo a Europa e Moscovo, evitam envolver-se no embate.

Observadores consideram que uma solução para o conflito no Saara Ocidental só pode ser alcançada por meio do diálogo entre a Argélia e Marrocos. Mas oficialmente nada foi divulgado a este respeito.

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