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Moçambique

Minas antipessoais continuam a ceifar vidas humanas na Zambézia

A polícia moçambicana não sabe dizer se a mina que matou recentemente quatro pessoas se é de agora ou do tempo da guerra civil. Recorde-se que a região foi palco no passado de de violentos confrontos armados.

Mosambik Minenexplosion in Zambezia (M. Mueia)

Casa queimada na zona rural da região de Murothone

Na última quarta-feira (27), quatro pessoas morreram na província da Zambézia, no centro de Moçambique, devido à explosão de uma mina antipessoal. De acordo com o porta-voz provincial da polícia, as quatro pessoas pertenciam à mesma família, tinham entre 11 e 25 anos e teriam ativado a mina inadvertidamente na zona rural da região de Murothone.

O local, no distrito de Mocuba, foi isolado e agora a polícia está a averiguar se existem outros engenhos nas proximidades. No entanto, as autoridades moçambicanas afirmam que não há condições de verificar o período em que a mina foi colocada. Essa mesma região já foi palco de violentos confrontos armados entre as forças governamentais e a RENAMO.

Ouvir o áudio 02:42

Minas antipessoais continuam a ceifar vidas humanas na Zambézia

Organizações da Sociedade Civil e representantes da Comunidade Sant'Egidio receiam que existam mais minas antipessoais perto do posto administrativo de Mugeba, no distrito de Mocuba.

Dúvidas da polícia

Segundo o porta-voz do Comando Provincial da Polícia da Zambézia, Miguel Caetano, essas pessoas encontraram a mina numa machamba e levaram-na para sua residência com intuito de destruí-la e retirar o cobre do engenho explosivo, mas a mina acabou por explodir e matar, no local, duas pessoas. As outras duas vítimas morreram a caminho do hospital. "Até ao momento não se sabe quando é que a mina antipessoal foi colocada ali”, disse Miguel Caetano à DW África. E continuou: "A mina explodiu e, para nós, é difícil afirmar se a sua colocação é recente ou antiga”.

Mosambik Minenexplosion in Zambezia (M. Mueia)

Secretária permanente da Zambézia, Elisa Somane

Diante desse quadro, Vido Frederico, ativista da Sociedade Civil na província da Zambézia, chama a atenção dos moradores de Sabe, no distrito de Morrumbala, e Murothone, em Mocuba. Ele pediu que as pessoas fiquem mais atentas a estes engenhos explosivos.

Frederico lembrou ainda que, num passado recente, registaram-se, nessas mesmas localidades, violentos combates entre as forças de Intervenção Rápida (FIR) e elementos armados da RENAMO. "Só podemos suspeitar que as minas tenham sido implantadas no período em que ocorreram os confrontos. As lideranças comunitárias de base devem trabalhar com as instâncias governamentais para que sejam identificadas as parcelas de terreno onde provavelmente ainda existem alguns engenhos explosivos”, alertou.

Investigações em andamento

Mosambik Minenexplosion in Zambezia (M. Mueia)

Belito Adolfo acha pouco provável que essas minas tenham sido colocadas na guerra dos 16 anos

Apesar de a polícia ter dito que não existem condições para  investigar os pormenores sobre o que na realidade aconteceu com as quatro vítimas fatais das minas antipessoais, a secretária permanente da Zambézia, Elisa Somane, tranquilizou a população.

Somane declarou que diligências estão a ser feitas visando apurar a existência de minas antipessoais que ainda estejam no terreno. ”O trabalho está a ser feito, mas, neste momento, não posso pronunciar-me sobre o assunto. Vamos esperar os resultados das investigações levadas a cabo pelas autoridades.

"O representante da Comunidade Sant'Egidio, Belito Adolfo, disse que apesar de Moçambique ter sido declarado livre das minas, pode ser que ainda existam outras minas. Adolfo não acredita na hipótese de que essas minas tenham sido colocadas na guerra dos 16 anos.

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