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NOTÍCIAS

Milhares protestam contra revisão da Constituição no Mali

Oposição e sociedade civil estão contra o referendo sobre a revisão constitucional previsto para 9 de julho. Temem aumento de poderes do Presidente e afirmam que este não é o momento de rever a Constituição.

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Foto de arquivo (2012): manifestação contra combates entre tuaregues e exército

Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado (17.06) em Bamako contra um referendo sobre um projeto de revisão da Constituição previsto para 9 de julho. O protesto foi convocado pela oposição e organizações da sociedade civil.

Durante uma marcha de 10 quilómetros, os manifestantes – cerca de 300 mil, segundo os organizadores e 9 mil, segundo a polícia – gritaram palavras de ordem como "não à revisão da Constituição” e "não toquem na minha Constituição”, vestindo t-shirts e bonés vermelhos, em sinal de revolta.

Segundo a polícia, não se registaram quaisquer incidentes na manifestação. Um protesto anterior contra a revisão constitucional, a 8 de junho, juntou cerca de cem pessoas na capital maliana e foi dispersado pelas forças de segurança.

Demasiado poder para o Presidente?

Ibrahim Boubacar Keita Mali Präsident (picture alliance/dpa)

Ibrahim Boubacar Keita, Presidente do Mali

A revisão da Constituição de 1992, a primeira em 25 anos, visa "pôr em prática alguns compromissos do Acordo de paz e reconciliação do Mali” assinado entre maio e junho de 2015 entre o Governo e a ex-rebelião maioritariamente tuaregue, no norte do país. A revisão prevê a criação de um Senado e de um Tribunal de Contas.

Entre outras críticas, a oposição e a sociedade civil condenam o facto de o projeto dar ao Presidente Ibrahim Boubacar Keita a responsabilidade de nomear um terço do Senado que vai substituir o Alto Conselho das Coletividades e designar o presidente do Tribunal Constitucional.

"A nova Constituição dá demasiados poderes ao Presidente da República”, diz Oumar Diallo, um responsável da sociedade civil presente na marcha. "Como é que poder organizar um referendo numa altura em que parte do território está ocupada?”, pergunta Diallo, referindo-se às zonas do norte e centro do país vítimas de ataques de extremistas islâmicos ou onde o Estado maliano ainda não conseguiu firmar a sua presença.

 "Com estas dezenas de milhares de manifestantes, isto é um verdadeiro cartão vermelho para o Governo, que deve voltar atrás neste projeto de Constituição”, diz, por sua vez, Djiguiba Keita, um dirigente da oposição.  

Alvo de radicais islâmicos

O último acto eleitoral do Mali, as eleições autárquicas, foram adiadas várias vezes antes de terem lugar em novembro de 2016 em apenas parte do território, devido à violência no país, particularmente no norte.

O norte do Mali caiu em 2012 nas mãos de grupos radicais islâmicos ligados à Al-Qaeda que foram mais tarde expulsos por militares de uma operação francesa lançada em janeiro de 2013. No entanto, várias zonas continuam fora do controlo das forças malianas, francesas e da ONU e são regularmente palco de ataques, apesar da assinatura do acordo de paz, cujo objetivo é isolar definitivamente os extremistas.

Este sábado, cinco soldados malianos morreram e oito ficaram feridos no mais recente ataque dos radicais islâmicos a um campo militar no norte do país.

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