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NOTÍCIAS

Mia Couto e Kalaf Epalanga na Feira do Livro de Leipzig

Os escritores de Moçambique e Angola comentam suas últimas obras perante o público da Feira do Livro de Leipzig, na Alemanha. Couto apresenta trilogia. Epalanga, crónicas de Lisboa.

Deutschland Buchmesse in Leipzig - Mia Couto (DW/N. Issufo)

Mia Couto

Considerada uma das maiores do mundo, a Feira do Livro de Leipzig privilegia o contato entre leitores e autores em sessões de leitura.

"Uma das ideias era lidar com o assunto da memória e da construção da memória como sendo uma única verdade," é a explicação que Mia Couto apresenta ao público sobre o que o levou a escrever a trilogia "As Areias do Imperador". Ngungunhana, imperador de Gaza, famoso por ter enfrentado os colonialistas portugueses em Moçambique, é a personagem central. Mas, ao microfone da DW-África, o escritor moçambicano deixa claro que o objetivo desta série não é fazer o retrato desta figura mítica.

"Ngungunhana é um pretexto. É o personagem trágico, digamos, que me autoriza a falar de um tempo. Este tempo é o que me interessa. O tempo em que se definiram algumas das bases, alguns dos fundamentos que hoje ainda marcam aquilo que é a nossa identidade nacional. Portanto, eu quero questionar, o passado recente em Moçambique. Isso sim é o que me interessa," revela o autor.

Ouvir o áudio 03:01

Mia Couto e Kalaf Epalanga na Feira do Livro de Leipzig

A trilogia é o tema das várias leituras que o autor tem previstas na Feira do Livro de Leipzig. Os minúsculos stands tornam-se mais pequenos ainda com a quantidade de gente que vai lá para ouvi-lo. Mia Couto assume que pouco conhece sobre os gostos literários do público alemão, mas dá-se por satisfeito pelo facto de se interessarem por livros que vêm de África.

"Acho que [é] a descoberta de que temos histórias que são, afinal, tão próximas, tão comuns. Eu acho que é importante desconstruir aquela ideia de uma África típica, exótica, folclórica, que tem coisas engraçadas para dizer e que os africanos são particularmente qualquer coisa. Os africanos são muito como os europeus e é isso que é importante descobrir," avalia Mia Couto.

Epalanga, a energia jovem de Angola

Kalaf Epalanga é outro autor dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) que marca presença na edição deste ano. O jovem angolano é novo nas lides da escrita, bem como em participações em feiras de grande envergadura, como a de Leipzig. Não tem livros traduzidos para o alemão, mas tem esperanças de conseguir isso.

Deutschland Buchmesse in Leipzig - Kalaf Epalanga (DW/N. Issufo)

Kalaf Epalanga, escritor angolano

"Eventualmente, a minha gente alemã está a caminho. Por isso, vou deixá-los fazerem o seu trabalho," diz.

"O Angolano Que Comprou Lisboa (Por Metade do Preço)" é o título do seu segundo livro de crónicas. A obra evidencia nitidamente as vivências do angolano e do português que habitam dentro de Kalaf Epalanga. Como convivem essas duas nacionalidades dentro do autor?

"É curioso. Eu sinto que continuo a ser a mesma pessoa. É óbvio que sou um angolano a viver em Lisboa e isso, sem dúvida, passa para a minha escrita – e quero passar essa ideia. Digo sempre que há uma forma de estar em Lisboa, há uma proximidade com África que Lisboa permite que muito poucos lugares no mundo conseguem oferecer às pessoas," responde o escritor angolano.

"Diria que é um porto. É uma cidade com um porto cultural, emocional, imaginário, mas real também," define Epalanga a capital portuguesa.

Nesta feira que termina no próximo dia 26, Epalanga assume-se como observador e curioso, mostrando optimismo. O escritor angolano espera que seja a primeira de muitas outras.

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