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Internacional

Merkel apela a Governo etíope para ouvir vozes críticas

De visita à Etiópia, a chanceler alemã, Angela Merkel, apelou a uma abertura do sistema político. O país está em estado de emergência após meses de protestos. Centenas de manifestantes morreram, relatam ativistas.

A resposta da polícia aos protestos deve ser proporcional, disse esta terça-feira (11.10) a chanceler alemã, Angela Merkel, numa conferência de imprensa em Adis Abeba. De visita à capital etíope, depois de passar pelo Mali e pelo Níger, Merkel apelou ao Governo de Hailemariam Desalegn, que tente dialogar com a oposição.

"Defendo que se ouça aqueles que têm opiniões políticas distintas, deixando-os expressar os seus pontos de vista, porque, afinal, a experiência democrática mostra-nos que, normalmente, destas discussões resultam boas soluções", afirmou Merkel.

Nas eleições do ano passado, a coligação no poder na Etiópia conquistou todos os assentos no Parlamento. Há meses que o regime etíope enfrenta um movimento de contestação sem precedentes, liderado pelos grupos étnicos dominantes Oromo e Amhara, que se dizem marginalizados pelo Executivo. Cerca de 500 manifestantes morreram em confrontos com a polícia, segundo grupos de defesa dos direitos humanos. O primeiro-ministro etíope declarou o estado de emergência no país.

Ouvir o áudio 03:09

Merkel visita Etiópia, dias depois de país declarar estado de emergência

"A situação está a piorar a um ritmo muito acelerado. Os protestos são cada vez mais fortes e estão espalhar-se por todo o lado", conta Tesfalem Weldeyes, um jornalista etíope a residir na Alemanha por questões de segurança."A principal razão que leva as pessoas a sair do país não é a economia, são as questões políticas. Não há liberdade na Etiópia. Não há liberdade de expressão ou reunião."

Angela Merkel ofereceu à polícia etíope uma formação dada pelo Ministério alemão do Interior sobre como usar a força de forma proporcional.

Em resposta, o primeiro-ministro etíope assegurou que a polícia não usou força excessiva contra os manifestantes. Desalegn acrescentou que "a Etiópia está comprometida com uma democracia multipartidária, como prevê a Constituição; a Etiópia está comprometida com o respeito pelos direitos humanos, mas a Etiópia é contra quaisquer grupos armados extremistas violentos."

À procura de oportunidades

Durante a visita, Merkel referiu que os empresários alemães não estão contentes com o atual ambiente económico no país.

A chanceler alemã esteve na Etiópia e noutros dois países africanos, o Níger e o Mali, à procura de oportunidades de investimento que possam estimular as economias locais - a Etiópia é um dos países que acolhe mais refugiados em todo o mundo; o Mali e o Níger são dois pontos de passagem para dezenas de milhares de migrantes africanos que tentam chegar à Europa.

Deutschland Merkel in Äthiopien Eröffnung des Julius-Nyerere Gebäudes für Frieden und Sicherheit

Presidente da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, (esq.) chanceler Angela Merkel (centro) e primeiro-ministro etíope Hailemariam Desalegn inauguram um novo edíficio da UA

Durante a viagem, Angela Merkel reforçou que é crucial combater a insegurança na região: "A missão de paz das Nações Unidas no Mali, a MINUSMA, tem ajudado. Mas é uma missão de paz", lembrou a chanceler. "Agora temos de pensar como reagir à crescente ameaça dos grupos extremistas islâmicos. Especialmente tendo em conta que os seus recursos resultam do tráfico de drogas, armas e seres humanos."

À chegada ao Níger, na segunda-feira (10.10), a chanceler alemã anunciou um pacote de ajuda financeira e veículos militares para apoiar o país no combate ao tráfico humano e aos extremistas islâmicos. O Presidente Mahamadou Issoufou recebeu com satisfação as promessas da chanceler alemã, mas afirmou que é preciso mais dinheiro dos países da União Europeia para responder aos desafios da migração.

Na terça-feira, a chanceler alemã anunciou uma conferência em Berlim para fomentar o investimento privado, as redes elétricas e rodoviárias e a formação profissional no continente africano. Segundo Merkel, a conferência deverá realizar-se em meados de 2017.

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