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Angola

Medidas do BCE visam minimizar risco do investimento em Angola

O Banco Central Europeu (BCE) obrigou bancos europeus, inclusive muitos portugueses, a reduzirem a sua exposição a Angola. É uma medida de precaução, para evitar que a crise angolana contagie os bancos europeus.

Os principais bancos portugueses com investimentos em Angola estão a apostar em fusões como uma das medidas para reduzir os riscos da excessiva exposição ao mercado angolano, em cumprimento das regras impostas pelo Banco Central Europeu (BCE).

A medida surgiu depois do colapso causado pela queda do Banco Espírito Santo (BES) em Portugal, na sequência do rombo financeiro do BES Angola. Analistas consideram que a fusão de bancos ajudará também a resolver o problema de créditos às empresas face à crise que afeta a economia angolana, em resultado da baixa do preço do petróleo.

«Portugal tem problemas de capital financeiro», alerta Luís Amado. O ex-ministro português dos Negócios Estrangeiros, atual presidente do banco BANIF, falava numa conferência esta quinta-feira (15.10) sobre a economia portuguesa, reformas estruturais e parcerias internacionais. Amado destacou a importância do mercado lusófono para as empresas portuguesas, confrontadas com a falta de crédito para investir em países como Angola, cuja economia está afetada pela quebra do preço do crude no mercado internacional.

Minimizar os riscos

Félix Ribeiro

O economista português, Felix Ribeiro

Na origem das novas obrigações impostas aos bancos portugueses pelo BCE está decerto o abrandamento da economia angolana, mas também e sobretudo o colapso do BES Angola – que contribuiu para a queda do BES Portugal. Abordado pela DW África, o economista português José Manuel Félix Ribeiro, consultor da Fundação Gulbenkian, chama a atenção para o facto de não estarem afetados apenas bancos portugueses: “Toda a Europa beneficiou durante a fase de super-ciclo das matérias-primas com investimentos em países produtores de matérias-primas.

Não foi só Portugal que investiu em todas as economias produtoras de matérias-primas”

O economista salienta que países na Europa que não têm uma relação tradicional com países produtores de matérias-primas estão isentos: “Mas há muitas entidades na Europa que têm no balanço uma quantidade de problemas resultante do colapso dos preços das matérias-primas”diz.

Caso BES Angola: “Houve má gestão”

A advertência aos bancos portugueses em consequência do rombo financeiro do BES Angola também é comentada pela professora universitária angolana, Fátima Roque, que não esconde o seu desagrado perante a decisão do BCE: “O Banco Central Europeu não é nenhum deus. Nós os angolanos temos o direito de seguir o nosso caminho, e temos o dever de o fazer. Porque nós temos que responder perante os angolanos, temos que honrar os nossos compromissos. E aqueles que estiverem do nosso lado, e aguentarem este embate da descida abrupta do petróleo, não se irão arrepender. Porque Angola e os angolanos são solidários com aqueles que nos ajudam quando nós estamos com problemas”.

Fatima Roque ehemalige Mitglied von UNITA Portugal

A economista angolana, Fátima Roque

Sem pretender interferir no caso BES e as razões que levaram ao fim do BES Angola, a economista considera, no entanto, que “houve ocultação de muitos factos que eram muito importantes, e houve também má gestão. E ficar-me-ia por aqui”.

Contactado pela DW para abordar o tema na qualidade de supervisor, o Banco de Portugal não quis comentar.

Fusão de bancos pode ser uma solução

O que é certo é que falta avaliar se a decisão do BCE contribuiu para dificultar o cesso ao crédito por parte das empresas portuguesas que operam em Angola. Em todo o caso, Fátima Roque considera que a fusão de bancos, a exemplo do projeto de união entre o Millennium BCP Angola e o Banco Atlântico, é uma das alternativas para garantir crédito às empresas portuguesas que correm o risco de sair daquele país.

Para ela o “trambolhão tão grande” no preço do petróleo constitui um “quase desespero” para a economia angolana, mas Fátima Roque considera que, apesar desta crise, este não é o fim do “el dorado” para as empresas portuguesas, nomeadamente para a banca: “Eu gostaria de olhar para o interesse que as empresas portuguesas têm em Angola de uma forma menos cínica, ou seja, entre duas economias irmãs. Portugal está a ultrapassar uma crise profundíssima de natureza monetária, financeira e bancária. E, portanto, virou-se para determinados mercados onde esses problemas não se punham. E um deles foi Angola. El dorado? Talvez. Mas eu gostaria que os portugueses considerassem Angola como um bom mercado onde devem apostar, onde devem investir, e que investissem em termos de longo prazo. Não é por Angola estar agora a ultrapassar uma fase mais difícil, que se irão retirar. Isso é um grande erro”.

A economista prefere apelar aos empresários para investirem e contribuírem para a diversificação da economia angolana, como foco no longo prazo, porque acredita que Angola continuará a “prometer futuro”.

Ouvir o áudio 04:26

Medidas do BCE visam minimizar risco do investimento em Angola

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