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Moçambique

MDM rejeita estatuto especial para líder da RENAMO

O planeado estatuto especial para o líder do principal partido da oposição em Moçambique, a RENAMO, continua a criar celeuma. Desta vez é o segundo partido da oposição, MDM, que sai a campo para criticar o propósito.

Na segunda-feira, 1 de dezembro, o partido de oposição Movimento Democrático de Moçambique (MDM) convocou uma conferência de imprensa na cidade da Beira para, mais uma vez, tecer críticas à forma como decorreram as recentes eleições gerais. O MDM, a terceira maior força partidária, considerou que essas eleições foram fraudulentas e que ninguém pode agora reclamar um estatuto de líder da oposição e beneficiar de determinados privilégios. Para o MDM, o estatuto para o líder da oposição, Afonso Dhlakama, insere-se na alegada preocupação do Parlamento moçambicano de dar privilégios a determinados dirigentes, num contexto em que a maioria da população vive na pobreza.

Na conferência de imprensa, o porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Sande Carmona, exigiu que seja feita uma comparação criteriosa entre os editais das eleições gerais de outubro último, para o que exige a publicação dos mesmos: “O que dará aos cidadãos que fotografaram os editais afixados à porta de cada assembleia de voto, como manda a lei, a possibilidade de confrontar o original publicado pela Comissão Nacional de Eleições com o da fotografia.

Estatuto especial é “vergonha”

Wahlen Mosambik 15.10.2014 Afonso Dhlakama

Em Moçambique discute-se um estatuto especial com regalias para o líder do maior partido da oposição, Afonso Dhlakama

Carmona reafirmou que o seu partido não aceita os resultados destas eleições “por não serem credíveis”. E questionou se Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) foi realmente o segundo partido mais votado. Na mesma ocasião, o porta-voz do MDM indicou que o esperado estatuto especial para o líder de oposição não passa de uma vergonha, por ter como objetivo acomodar interesses pessoais: “Estão sendo equacionados valores astronómicos, sustentando-se em despesas para o pessoal do segundo candidato mais votado, e valores anuais gigantes para bens e serviços do segundo candidato mais votado”.

Carmona considera que o orçamento para este projeto acarreta muitos custos e que até ultrapassa as despesas normais causadas por um chefe de Estado, disse à DW África: “O orçamento para a aposentadoria do chefe de Estado eventualmente vai rondar os 50 milhões de meticais (1,3 milhões de euros). Mas ao segundo candidato mais votado estão a ser dados cerca de 70 milhões de meticais (1,8 milhões de euros)”.

Governo de gestão tem que incluir MDM

Quanto à proposta de Afonso Dhlakama da criação de um governo de gestão, Sande Carmona disse na conferência de imprensa que o seu partido não pode ser excluído de um executivo nestes moldes, ao contrário do que defendem a RENAMO e o seu líder, Afonso Dhlakama: “A própria Constituição já fala por si. É impossível que se

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MDM rejeita estatuto especial para líder da RENAMO

transforme o país politicamente, e que o MDM não esteja presente. O MDM vai estar presente, sim senhora, em todas as frentes que o país vai enfrentar”.

O governo de gestão idealizado por Dhlakama, visa incluir o candidato do partido governamental Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e da RENAMO, por terem sido os mais votados nas últimas eleições gerais em Moçambique.

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