Marido da filha de ex-PR Armando Guebuza nega ter assassinado a mulher | Moçambique | DW | 18.12.2017
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Moçambique

Marido da filha de ex-PR Armando Guebuza nega ter assassinado a mulher

Tribunal Judicial da Cidade de Maputo começou o julgamento de Zófimo Muiane, acusado de matar a mulher, Valentina Guebuza, num dia marcado pela afirmação do arguido de que é inocente.

Armando Guebuza, pai da vítima e os filhos e alguns ex-ministros dos dois Governos que o antigo Presidente da República dirigiu entre 2005 e 2015, bem como diversas figuras públicas moçambicanas estiveram esta segunda-feira (18.12.) na sala de audiência para assistir ao julgamento de um acontecimento que, a 14 de dezembro de 2014, chocou o país.

A sessão arrancou com a leitura da acusação do Ministério Público, que imputa a Zófimo Muiane, 44 anos, ter deliberadamente morto Valentina Guebuza, na altura com 36 anos.

De acordo com a acusação, Zófimo Muiane assassinou Valentina Guebuza com um tiro no tórax e outro no abdómen, disparados de uma pistola no quarto da residência do casal no Bairro da Polana Cimento, no coração da capital moçambicana.

Maus-tratos e violência doméstica

Com base em testemunhos dos padrinhos e na ajudante de campo da vítima, que estiveram na habitação do casal antes do homicídio, para tentar resolver uma crise no casamento dos dois, o Ministério Público narrou que a vítima se queixava de maus-tratos e de violência doméstica.

Na presença dos padrinhos, Valentina Guebuza pediu a separação do marido durante algum tempo para que a situação se apaziguasse.

Muiane, à data dos factos gestor da empresa pública de telefonia móvel Mcel, recusou a separação, ainda de acordo com o Ministério Público Moçambicano.

No despacho de pronúncia lida esta segunda-feira, o tribunal repetiu na íntegra a acusação do Ministério Público, dando depois a palavra a Zófimo Muiane.

 Muiane declara-se inocente

Na sua narração, Zófimo Muiane declarou-se inocente das acusações de homicídio qualificado, contando que Valentina Guebuza perdeu a vida durante a disputa da pistola que a vítima terá arrancado da cintura do marido para o expulsar de casa sob ameaça. "Estou a ser injustamente acusado, sou inocente", declarou Zófimo Muiane.

Muiane disse que antes dos tiros fatais, a vítima disparou contra ele, atingindo um espelho e a cabeceira do quarto. "Saia da minha casa ou mato-te", terá gritado Valentina Guebuza, segundo o marido, que chorou por várias vezes durante o seu depoimento e referiu-se ao ex-chefe de Estado e à mulher, Maria da Luz Dai Guebuza, como "papá Guebuza e mamã Maria Guebuza", respetivamente. 

Zófimo Muiane acrescentou que, por "instinto", atirou-se à Valentina Guebuza e envolveu-se numa briga com a vítima pela posse da pistola, o que acabou resultando nos disparos que provocaram a morte da filha do ex-chefe de Estado moçambicano.

Ouvir o áudio 03:30
Ao vivo agora
03:30 min

Marido da filha de ex-PR Armando Guebuza nega ter morto a mulher

Como resultado da luta entre os dois, Zófimo Muiane diz que contraiu um ferimento no dedo e nas costas.

Zófimo Muiane negou por várias vezes que o casal estivesse em crise no relacionamento, imputando essas notícias à invenção de pessoas que tinham inveja do seu casamento.

Muiane admitiu ter ficado contrariado pelo facto de a mulher ter insistido em viajar para África do Sul para se reunir com a nutricionista, quando o casal tinha uma viagem agendada para três dias depois àquele país, para uma consulta pediátrica para a filha, na altura com um ano e sete meses.

Zófimo Muiane afirmou que após os tiros fatais, tentou suicidar-se com recurso à mesma pistola, apontada à boca, mas esta encravou.

Além de homicídio qualificado, Zófimo Muiane é acusado de falsificação de documento autêntico, por ter sido encontrado na sua posse um passaporte de um cidadão sul-africano, mas com a foto do acusado, e de posse de armas proibidas.

 

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados