Margaret Ekpo e a luta pelos direitos das mulheres na Nigéria | História de África - Raízes Africanas | DW | 19.04.2018
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História de África

Margaret Ekpo e a luta pelos direitos das mulheres na Nigéria

Ekpo ficou também conhecida por ter ajudado a mudar o rosto da política no seu país. Em homenagem do contributo de que deu para o avanço do país, o Aeroporto Internacional da cidade de Calabar tem hoje o seu nome.

Nasceu: em 1924 no estado de Cross River, no sudeste da Nigéria. Na época, a Nigéria era governada pelos britânicos e as mulheres não podiam votar. Ekpo morreu aos 92 anos, em 2006 na cidade de Calabar, no estado nigeriano Cross River.

Reconhecida por: ter mobilizado mulheres ricas e pobres para lutar pelos seus direitos económicos e políticos e participar na vida política. Lutou ainda, incansavelmente, pela independência nigeriana. Tornou-se uma das primeiras mulheres políticas eleitas no país, tendo mantido como prioridade nesta atividade a promoção do papel das mulheres na sociedade.

Nigeria, Cartoons und Zeichnungen Margaret Ekpo unionizes market women (Comic Republic)

Ekpo fundou a Associação das Mulheres do Mercado para sindicalizar as mulheres na cidade de Aba

Como se tornou politicamente ativa? 

Na década de 1940, Ekpo, cujo marido era médico, começou a participar em reuniões para  protestar contra o tratamento que era dado pelas autoridades coloniais britânicas às equipas médicas indígenas.

Seis anos mais tarde, fundou a Associação das Mulheres do Mercado para sindicalizar as mulheres na cidade de Aba, estado da Nigéria onde vivia com o marido.

Neste período, Ekpo também se tornou ativa na luta contra o colonialismo no seu país, juntando-se ao Conselho Nacional da Nigéria e Camarões. Mais tarde, Ekpo é nomeada pelo partido como membro especial na influente Casa dos Chefes regionais em representação das mulheres.

Após a independência da Nigéria da Grã-Bretanha em 1960, Ekpo foi eleita para a Assembleia Regional do Leste, tornando-se a primeira mulher em Aba, e uma das poucas mulheres do país, a ter este cargo.

O que aconteceu depois? 

Ekpo manteve-se na política até ao início da guerra civil da Nigéria em 1967. Durante a guerra, ela foi detida pelas autoridades de Biafra, na altura um território que tinha declarado a independência da Nigéria, por três anos, tendo ficado bastante doente por falta de comida adequada.

Nigeria, Cartoons und Zeichnungen Margaret Ekpo meets Funmilayo Ransome Kuti
(Comic Republic)

Margaret Ekpo lutou incansavelmente pelos direitos das mulheres na Nigéria

Quando Margaret Ekpo nasceu no estado de Cross River, Nigéria, em 1914, as suas chances de se tornar um ícone político eram reduzidas. Por um lado, porque era mulher. Por outro, porque havia nascido num país governado pelos britânicos. No entanto, nenhuma destas realidades a impediu de lutar contra os colonos e a favor da independência do seu país.

Em entrevista à DW, Etubong Eniang Essien, contemporânea de Margaret Ekpo, conta que, antes de se juntar "à política” e ao Conselho Nacional da Nigéria e Camarões, o partido NCNC criado em 1944, Margaret Ekpo "era costureira”. Diz ainda que Ekpo era uma mulher "muito ativa e extrovertida”.

Gosto pela política

A entrada de Margaret Ekpo no mundo da política deu-se um pouco ao acaso. O seu marido, médico de profissão, era contra a discriminação que os administradores britânicos demonstravam ter para com os médicos nativos. Mas, como funcionário público, não podia participar em reuniões políticas. Por esta razão, Margaret Ekpo assumiu esta "batalha” como sendo sua e tomou o lugar do seu marido nos protestos contra as políticas coloniais.

Luta pelos direitos das mulheres

Não passou muito tempo até que mudasse o seu foco para a melhoria da posição das mulheres na sociedade nigeriana. Na década de 1950, Margaret Ekpo viajou um pouco por todo o país, mobilizando mulheres ricas e pobres para a luta pelos seus direitos económicos e políticos - uma novidade numa época em que os homens dominavam a política e a maioria das mulheres nigerianas não podiam votar.

Ekpo foi então nomeada membro da influente Casa Regional dos Chefes. Alguns anos depois, foi eleita política na Região Leste da Nigéria, onde existia um número muito reduzido de mulheres.

Nigeria, Cartoons und Zeichnungen Margaret Ekpo won a seat to the Eastern Regional House of Assembly (Comic Republic)

Margaret Ekpo foi uma das primeiras mulheres com papéis importantes na história da política da Nigéria

Etubong Essien lembra que, durante esse período, a "maioria das mulheres não se envolvia na política”. No entanto, Margaret desafiou-as. E, à medida em que foram "entrando na política, foram-lhes sendo concedidas posições, particularmente àquelas que conseguiram ser eleitas para a Casa”. "Foram as suas próprias atividades que levaram as mulheres a serem nomeadas Comissárias para o bem-estar social e assim por diante”, acrescenta Essien.

Margaret Ekpo manteve-se na política até ao início da guerra civil nigeriana em 1967. Ajudou as mulheres, especialmente as mais pobres, focando-se na melhoria das estradas para os mercados locais.

Um dos netos de Margaret, Roby Ekpo, lembra a sua avó como alguém que sempre lutou pela igualdade de direitos. Segundo Roby Ekpo, a sua avó, "sempre acreditou que todas as crianças eram iguais, e por isso tentava mostrar que qualquer que fosse o objetivo da criança do sexo masculino, a criança do sexo feminino também poderia alcançar. Esta é também a razão pela qual ela sempre defendeu a emancipação da mulher e os mesmos direitos que os homens na política ou onde quer que fosse”.

Mulher respeitada

A nigeriana tinha uma personalidade forte, o que a ajudou a melhorar o papel das mulheres na Nigéria. Mas, ela também tinha um lado brando que fez dela uma mulher respeitada e muito procurada.

Segundo o seu neto, "muitas pessoas, vindas de todo o país, costumavam vir aqui a casa para a ver. Algumas delas não a conheciam. Provavelmente teriam-se comunicado por telefone, e-mails ou cartas, naquela época. Quando essas pessoas vinham, muitas vezes voltavam com uma impressão diferente porque ela era realmente uma pessoa acessível”.

Margaret Ekpo morreu em 2006, aos 92 anos – mas não sem ver as suas conquistas homenageadas. Poucos anos antes da sua morte, o presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo, ordenou que o Aeroporto Internacional da cidade de Calabar passasse a conter o seu nome, em homenagem ao contributo de Ekpo para o avanço do país.

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