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Internacional

Madagáscar em vésperas de eleições presidenciais

Há mais de quatro anos que os malgaxes esperam este dia. Sexta-feira, 25 de outubro, os habitantes da grande ilha do oceano Índico, vizinha de Moçambique, poderão finalmente ir às urnas para elegerem o seu Presidente.

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Membros da Comissão Eleitoral criaram um posto de votação em Antananarivo, antes das eleições de 25 de outubro de 2013

A eleição presidencial desta sexta-feira (25.10) em Madagáscar, tem por missão colocar um termo à crise política devastadora que provocou a suspensão das ajudas internacionais à grande ilha e levou milhões de malgaxes para a pobreza, depois do derrube do Presidente Marc Ravalomanana em 2009. O número de pobres aumentou consideravelmente. Pelo menos quatro milhões de pessoas de um total de 22 milhões vive na pobreza.

Agora, a população do país espera que um regresso à ordem constitucional permita o fim das sanções internacionais, assim como o regresso da ajuda e dos investimentos estrangeiros.

Para este pleito a lista é longa: 33 candidatos estão na corrida. E até muitos observadores da paisagem política malgaxe desconhecem estes candidatos, como deixa claro o jornalista Jean Hervé Rakotozanany:

"É verdade que não existem muitos nomes conhecidos entre os 33 candidatos, o que me causou um certo espanto. Eu já trabalho na rádio há quase 17 anos, mas nunca tinha ouvido falar em alguns dis candidatos", admitiu o jornalista.

Antigos políticos fora da corrida

No início, tudo indicava que políiticos veteranos iriam ser os protagonistas de um novo duelo: o exilado Marc Ravalomanana, Presidente do país até início de 2009, e Andry Rajoelina, o atual Presidente, que derrubou do poder o seu predecessor através de um golpe de Estado.

Wahlvorbereitungen in Madagaskar

Jean Louis Robinson, candidato presidencial, discursa durante um comício, a 13 de outubro, em Antananarivo

A data do escrutínio foi alterada várias vezes, devido a querelas sobre quem poderia participar na corrida eleitoral. Mas depois de muitas discussões e pressões, os dois rivais prometeram não se apresentar.

Contudo, Ravalomanana decidiu enviar a sua mulher, Lalao, para a corrida eleitoral, o que levou Rajoelina a mudar de ideias e apresentar a candidatura. Face a este cenário, a comunidade internacional reagiu e começou a pressionar os dois políticos, que acabaram por ser afastados da lista. Apesar disso, os dois homens pretendem continuar a influenciar o destino político de Madagáscar.

Do seu exílio na África do Sul, Marc Ravalomanana apoia a candidatura do seu antigo ministro da Saúde, Jean Louis Robinson. Enquanto Andry Rajoelina, que na qualidade de Presidente da transição deveria permanecer neutro, apoia o seu ex-ministro das Finanças, Henry Rajaonarimampianina. Sahondra Rabenarivo, jurista e militante dos direitos cívicos, salienta, no entanto, que ninguém saberá dizer com toda a certeza quem sairá vencedor do escrutínio.

Resultado imprevisível

"Penso que será uma surpresa geral", diz o jurista. Contudo, para Rabenarivo, é evidente que os candidatos favoritos são os “mais visíveis e que aparentemente têm os meios necessários para realizar campanhas”. E afirma que no terreno “vemos também os outros candidatos, mais discretos, que têm contudo os apoios necessários e que poderão levar muitas pessoas a votar neles”, reitera.

Wahlvorbereitungen in Madagaskar

Panfleto da Comissão Eleitoral Nacional que explica aos eleitores como votar

Pela primeira vez, os nomes dos candidatos não se encontram em boletins de voto individual, mas todos num único boletim, onde os votantes deverão marcar com um X o candidato da sua escolha. Essa metodologia visa limitar as fraudes eleitoriais. Mas, segundo a jurista, o processo deveria ser elaborado, apresentado e explicado melhor à população. Acresce que ocorreram alguns problemas na altura da elaboração e da distribuição dos cartões eleitorais.

Muitos eleitores ainda sem cartões eleitorais

A poucas horas do escrutínio, muitos malgaxes ainda não receberam os seus cartões de eleitor. Sahondra Rabenarivo espera que o escrutínio se desenrole da melhor forma possível, mas não esconde a sua preocupação.

"Espera-se que não ocorram fraudes e que a organização técnica no dia do voto seja impecável". Refere também a importância dos perdedores aceitarem pacificamente a derrota, "caso contrário, será muito difícil o período que medeia entre a primeira e a segunda voltas, e nem sei se iremos chegar ao termo deste processo eleitoral", conclui.

Na verdade, como a maioria dos analistas, a jurista considera que é quase certa a realização de uma segunda volta para esta eleição presidencial. Mas aqui reside um problema: muitas estradas estão intransitáveis por causa da estação das chuvas, que também dificulta a deslocação das pessoas para as assembleias de voto.

Ouvir o áudio 05:14

Madagáscar vai amanhã a eleições presidenciais

Daí que, segundo Helmuth Burmeister, da GIZ, Agência Alemã de Cooperação Internacional de Madagáscar, o quadro não seja o ideal para a realização do escrutínio.

Mas Burmeister insiste ser essencial que estas eleições tenham lugar e que permitam a Madagáscar “sair destes anos de crise política”. Além disso, deverão devolver à população as condições necessárias para desenvolver “uma política sensata, para que deixe de sofrer”, sublinha Burmeister.

Entretanto, chegaram ao país com a missão de seguir o escrutínio, cerca de 800 observadores estrangeiros da União Europeia, da União Africana e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e ainda cinco mil malgaxes, membros da sociedade civil.

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