1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Moçambique

"Luto para que Moçambique seja um país modelo em África", diz deputada da RENAMO

Maria Ivone Soares é a única personalidade lusófona que a revista The Africa Report destacou, na edição de agosto e setembro, entre as 50 personalidades emergentes em África.

A revista escolheu vários artistas, empresários, intelectuais e políticos. Foi neste último setor que, na opinião da publicação, se destacou a jovem moçambicana Maria Ivone Soares.

Dirigente juvenil da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o principal partido da oposição, Maria Ivone Soares, de 34 anos, é também deputada e uma voz ativa no Parlamento. Sobrinha do líder da RENAMO, Afonso Dhlakama, Ivone Soares escreve em vários jornais, tem alguns blogues na internet e quer que o seu empenho inspire outras mulheres em Moçambique.

A DW África entrevistou Maria Ivone Soares, que se mostrou surpreendida com a nomeação da revista The Africa Report.

DW África: Porque acha que esta publicação a incluiu entre as 50 personalidades emergentes em África?

Ivone Soares (IS): O que eu tenho feito apenas é lutar dentro do meu país para que os jovens, rapazes e raparigas, possam ter uma educação de qualidade, à semelhança da educação que eu pude ter. Luto ainda pelos direitos humanos, para que sejam respeitados pelos nossos governantes. E para que a democracia não seja uma democracia de "faz-de-conta".

DW África: E neste caso particular, em que o Governo de Moçambique e a RENAMO têm estado em conversações para assinarem um acordo de paz, de que forma tem atuado para contribuir para o entendimento entre as duas partes?

Mosambik IItalien Parteien Ivone Soares von RENAMO mit Matteo Renzi

Ivone Soares com o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, em visita oficial a Maputo em 19 de julho de 2014

IS: Como presidente da Liga de Juventude do maior partido de oposição, nós temo-nos empenhado, e eu particularmente empenho-me, no sentido de escrever artigos de opinião, chamar à razão a quem de direito, no sentido de devolver a paz ao país e garantirmos que todos os políticos possam exercer a sua atividade sem alguma forma de obstrução.

Acho que é possível termos uma paz efetiva. Temos aqui uma oportunidade ímpar de podermos discutir as questões mais sensíveis que o país nunca discutiu, apesar de estarmos há quase 22 anos em paz. E também acredito que, a seguir, será tocado um assunto que é extremamente importante para o desenvolvimento do meu país, que tem a ver com a partidarização do Estado.

DW África: Em relação aos recursos naturais em Moçambique, tem sido uma voz crítica na exploração do gás natural na província de Cabo Delgado. Quais são as principais críticas que tem a apontar?

IS: O que eu critico é o facto de em Cabo Delgado, onde têm estado a operar grandes multinacionais, não se notar um desenvolvimento na vida dos cidadãos daquela zona. Eu tive o cuidado de visitar a ANADARKO (consórcio dos Estados Unidos da América de exploração de gás e petróleo), por exemplo, visitei a Statoil (multinacional norueguesa do setor de petróleo), não consegui visitar a ENI (Ente Nazionale Idrocarburi - multinacional petrolífera italiana), porque não nos recebeu na altura, que é para garantirmos, que os recursos que estão a ser explorados por estas multinacionais não servem apenas para enriquecê-las e para enriquecer, talvez, as pessoas ligadas à nomenclatura governativa.

Uma crítica que eu tenho estado a fazer, é no sentido que os contratos têm de ser conhecidos por toda a gente. E há a necessidade de construir escolas técnicas, de absorver a mão-de-obra moçambicana, para garantir a distribuição das receitas que estão a ser produzidas em Moçambique. Então, esta é a minha grande luta: garantir que o meu país possa ser em África um país modelo. E também que tudo aquilo que tenho estado a aprender possa contribuir para inspirar tantas outras raparigas.

Ouvir o áudio 03:26

"Luto para que Moçambique seja um país modelo em África"

DW África: Para quando está previsto um deslocamento e a aparição pública de Afonso Dhlakama em Maputo, tanto por causa da campanha eleitoral, como por causa do acordo de paz?

IS: Eu acredito que, quando estiverem criadas todas as condições de segurança, aí sem dúvida que ele virá para iniciar as atividades de pré-campanha.

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados