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Internacional

Lampedusa e vacina contra malária em destaque na imprensa alemã

A tragédia de Lampedusa, que vitimou sobretudo africanos, o Ruanda e a primeira vacina contra a malária que pode chegar ao mercado a partir de 2015 são alguns dos temas comentados esta semana em jornais em língua alemã.

A tragédia ao largo da ilha italiana de Lampedusa, que veio reacender as críticas à política de refugiados da União Europeia (UE), “provavelmente não será a última”, escreve o Neue Zürcher Zeitung, recordando que na Líbia há dezenas de milhares de imigrantes à espera de uma oportunidade para tentar chegar à Europa. As vítimas do naufrágio de 3 de outubro, que fez mais de 300 mortos, eram maioritariamente da Somália e da Eritreia.

“As crises no Norte de África só bloquearam temporariamente as rotas migratórias da África através do Saara”, explica o jornal suíço. Segundo a Frontex, a Agência Europeia de Gestão das Fronteiras Externas, e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), aumentaram os fluxos de refugiados da Síria e do Corno de África para a Líbia e de lá para a Itália”.

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Lampedusa e vacina contra malária em destaque na imprensa alemã

Segundo o jornal, esta “hemorragia” na Eritreia deve-se ao ditador Isaias Afeworki. Neste país, rapazes e raparigas são recrutados a partir dos 15 anos para um serviço militar que pode durar dois anos regulamentares. Os soldados eritreus também são obrigados a trabalhar em quintas do Estado e na construção de estradas.

Outro jornal, o Berliner Zeitung, refere-se à Eritreia como a “Coreia do Norte de África”, uma comparação que é frequente nos meios de comunicação social. Todas as críticas são abafadas, sublinha o jornal, lembrando que haverá nas prisões do país mais de dez mil prisioneiros políticos.

O Handelsblatt critica a União Africana (UA) por nada fazer para livrar o continente africano dos numerosos déspotas. O jornal económico dá algumas dicas para promover o desenvolvimento de África e travar a emigração. Defende, por exemplo, a redução da ajuda ao desenvolvimento que corrompe as elites e paralisa o continente. Em vez disso, é preciso promover o comércio com África, o que implica abolir as barreiras comerciais.

”Europa não é um paraíso”

Em Berlim, Die Tageszeitung encontrou Johnson Takyi, do Gana, num acampamento de protesto montado há um ano por refugiados numa praça da capital alemã.

Flüchtlinge auf dem Weg nach Sizilien

Muitos africanos continuam a arriscar a vida para tentar chegar à Europa

O ganense, que também passou por Lampedusa antes de chegar à Alemanha, contou ao jornal sobre a morte do irmão, que vivia na Líbia. Trabalhava nos estaleiros para alimentar a mulher e os dois filhos que tinha deixado no Gana.

O sonho do seu irmão era chegar ao Velho Continente. Johnson Takyi ainda tentou alertá-lo para não fazer a travessia até à Europa, “que não é o paraíso que todos imaginam”, sublinhou. “Não há trabalho e as pessoas têm de morar na rua”, acrescentou. Ainda assim, o irmão decidiu partir num barco para a Europa. Morreu afogado. Foi o pai de Johnson que lhe deu a notícia.

EUA suspendem ajuda ao Ruanda

A imprensa alemã também faz referência à decisão dos Estados Unidos de suspender a sua ajuda militar ao Ruanda. Die Tageszeitung diz que os norte-americanos não tiveram escolha, tendo em conta as provas do recrutamento de crianças ruandesas pelos rebeldes do Movimento 23 de Março, o M23.

Demokratische Republik Kongo M23 Rebellen Soldaten

Os rebeldes do M23 estão ativos no leste da República Democrática do Congo

Juridicamente, os Estados Unidos são obrigados a suspender todas as formas de ajuda a exércitos que recrutam combatentes com menos de 18 anos.

Na lista negra deste ano estão também países como a Síria, Myanmar, Chade, Iémen e Sudão do Sul.

Até aqui, escreve ainda o jornal, o Presidente do Ruanda, Paul Kagame, era visto como um dos mais próximos aliados de Washington. Atualmente, o chefe de Estado ruandês é posto no mesmo patamar do Presidente sírio, Bashar al-Assad.

Avanço na luta contra a malária

Depois de testes clínicos considerados “encorajadores”, a primeira vacina contra a malária poderá chegar ao mercado já em 2015. O anúncio foi feito na terça-feira (08.10), numa reunião médica em Durban, na África do Sul, pela farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK), que desenvolve a vacina há três décadas. Os ensaios clínicos sobre a eficácia da vacina incluíram 15 mil crianças em sete países africanos.

Impfung Malaria Kambodscha

Os ensaios da vacina contra a malária foram feitos em mais de 15 mil crianças

A nova vacina poderá salvar as vidas de centenas de milhares de crianças, sublinha o Frankfurter Allgemeine Zeitung, num artigo intitulado “Importante conquista na luta contra a malária”. Para as mais de 600 mil pessoas que todos os anos são infectadas com malária em África, a doença tropical é fatal. A maior parte das vítimas tem menos de cinco anos.

A GSK vai agora pedir uma primeira aprovação científica europeia para a vacina, batizada como “RTS,S”. Apresentada como a mais avançada, a vacina está a ser ensaiada numa parceria com a Malaria Vaccine Initiative (MVI), que é apoiada pela Fundação Bill e Melinda Gates.

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