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Moçambique

Líder da RENAMO instalou-se há um ano na Gorongosa

Já passou um ano desde que o líder do maior partido da oposição em Moçambique, Afonso Dlakhama, se reinstalou em Satunjira. Mas o que é que terá mudado até agora na estratégia da RENAMO desde 17 de outubro de 2012?

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Afonso Dhlakama na sua cabana nas montanhas da Gorongosa

Quando no ano passado o líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Afonso Dlakhama, se reinstalou na sua antiga base em Satunjira, nada indicava que 12 meses depois ainda pudesse permanecer naquele local. Dlakhama viajou para Satunjira, vindo de Nampula, a capital do norte do país e uma das províncias de maior implantação da RENAMO junto do eleitorado.

Dlakhama regressou a Satunjira, a primeira base fixa militar do então movimento rebelde da RENAMO em 1980, para a partir daquele local exercer maior pressão política sobre o Governo. A data do seu regresso a Satunjira, 17 de outubro, coincidiu com mais um aniversário do primeiro líder da RENAMO, André Matsangaissa, morto em 1979 durante a guerra civil.

Mudança de estratégia?

Mas o que é que terá mudado na estratégia da RENAMO? Aos microfones da DW África, o analista político Fernando Lima diz que foi a localização de Dlakhama, que a partir da Gorongosa, com ação armada, "conseguiu exercer finalmente pressão política sobre o Governo e sobre a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO)".

Mosambik Renamo Rebellen in den Bergen von Gorongosa

Rebeldes da RENAMO na Gorongosa

Para Fernando Mazanga, porta-voz da RENAMO, com a reinstalação de Dlakhama em Satunjira, o partido passou a assumir uma nova postura e maneira de estar."Temos uma RENAMO hoje, muito mais interventiva. Temos o próprio presidente Afonso Dlakhama muito mais interventivo", afirma Mazanga.

"Ele está a representar a resistência, a determinação comunista e está a lutar pelo resgate da democracia multipartidária, no sentido de dar oportunidades iguais a todos os que queiram concorrer para as eleições em Moçambique", acrescentou o porta-voz.

Fernando Lima considera que os ganhos da RENAMO resultantes da deslocação do seu líder a Satunjira são parciais. Mas defende que a RENAMO e Dlakhama têm responsabilidades nisso. “Depois de criado o primeiro impacto para se estabelecer o diálogo em termos práticos não tem havido evolução em relação a esse debate”, afirma o analista.

Negociações sem conclusão

Ouvir o áudio 03:28

Líder da RENAMO instalou-se há um ano na Gorongosa

Recorde-se que ao cabo de mais de 20 rondas negociais, iniciadas há mais de cinco meses, no dia 2 de maio, a RENAMO ainda não conseguiu alcançar qualquer acordo nas negociações que está a manter com o Governo de Guebuza.

Fernando Lima não acredita que Dlakhama vai deixar Satunjira e regressar à cidade antes de registar ganhos mais palpáveis. "Acho que isto é uma viagem sem regresso", diz o analista. Antes de conseguir alcançar ganhos políticos significativos com esta movimentação para a Gorongosa, Fernando Lima diz que Dlakhama "não pode fazer uma marcha-atrás com uma mão cheia de nada".

Na imprensa, algumas notícias consideram que Dlakhama encontra-se na Gorongosa por pressão de uma ala radical da RENAMO. O porta-voz do partido desmente e reduz a acusação a especulação. As pessoas não aparecem "quando são convidadas para estarem presentes na Satunjira e depois começam a criar especulações", frisa Mazanga.

Encontro entre Guebuza e Dlakhama

É opinião corrente que as divergências entre o Governo e a RENAMO só poderão ser ultrapassadas com a realização de um encontro entre o chefe de Estado, Armando Guebuza, e o líder da RENAMO Afonso Dlakhama.

Armando Emilio Guebuza Präsident Mosambik Afrika

As divergências só poderão ser ultrapassadas se Armando Guebuza (foto) dialogar com Afonso Dhlakama

Fernando Lima partilha do mesmo ponto de vista e traça alguns cenários futuros. O cenário positivo que esperava que acontecesse era que "nos próximos dias Dlakhama e Guebuza encontrassem algumas opções políticas para se continuar a discutir e resolver as questões que estão em cima da mesa".

Como cenário negativo, o analista admite a continuação de pequenos problemas "na zona centro do país como forma de pressão sobre o Governo, quando forem realizadas as eleições".

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