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Entrevista

Kalaf Epalanga: o angolano e o português, dois mundos num só

Ler as obras do escritor angolano é como ter um pé em Angola e outro em Portugal.

Conhecido como músico dos Buraka Som Sistema, Kalaf Epalanga seguiu também o mundo da escrita. Define-se como um homem das palavras. E "Estórias de Amor para Meninos de Cor" (2011)  foi o seu livro de estreia. No seu segundo livro, "O Angolano Que Comprou Lisboa (Por Metade do Preço)" (2014), uma coletânea das crónicas, pode sentir-se os lados angolano e português do autor. Em entrevista à DW África, o autor falou sobre esses dois mundos.

DW África: Nas suas crónicas percebe-se claramente o angolano e o português que vivem em si. Como se relacionam esses dois lados?

Kalaf Epalanga (KE): É curioso, eu sinto que continuo a mesma pessoa. É óbvio que sou um angolano a viver em Lisboa. E isso, sem dúvida, passa para a minha escrita e quero que passe para a minha escrita. Há uma forma de estar em Lisboa, uma proximidade com África que Lisboa permite que muito poucos lugares no mundo conseguem oferecer.

DW África: Diria que é um lugar de fronteira entre dois mundos?

KE: Eu diria que é um porto. É uma cidade que é um porto cultural, emocional, imaginário, mas real também.

Der angolanische Musiker Kalaf Epalanga

O segundo livro de Kalaf Epalanga é uma coletânea de crónicas

É uma cidade que me ensinou bastante, que me ensinou a escrever, por exemplo, a olhar para aquilo que poderia escrever com outros olhos, deu-me bastantes certezas. Então, o livro ["O Angolano Que Comprou Lisboa (Por Metade do Preço)”] é uma homenagem à cidade de Lisboa. Não é necessariamente que me sinta português ou que viva entre dois mundos. Esta é simplesmente uma cidade que me deu bastante e que me ensinou muito, tanto na escrita como na música, deu-me o propósito para seguir o caminho que escolhi seguir. Então, tenho muito carinho e uma relação muito próxima com a cidade.

DW África: "O Angolano Que Comprou Lisboa (Por Metade do Preço)” é um título que parece refletir um passado recente e, de certa forma, o que continua a ser uma realidade. Esse título reflete também outro tipo de apropriações, como culturais, sociais e não só económicas e financeiras (como se poderia pensar à primeira vista)?

Ouvir o áudio 03:01

Kalaf Epalanga: dois mundos num só, o angolano e o português

KE: Sem dúvida. Eu acho que Portugal, no geral, mas Lisboa, muito especificamente, consome cultura angolana de forma muito particular. É um lugar que serviu de berço para kizomba, um dos meus assuntos favoritos. O facto dos nossos músicos [angolanos] se inicarem a gravar discos e encontrarem indústria, um circuito para alimentarem a sua arte demonstra que Lisboa proporcionou isso. E "O Angolano Que Comprou Lisboa" é também uma metáfora, uma espécie de alerta para avisar as pessoas que nem tudo se traduz em comprar bancos e propriedades, mas também na relação que a cultura permite. E a proximidade que a cultura nos dá também é importante realçar e trazer ao de cima.

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