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Internacional

"Kabila utiliza a justiça para calar vozes discordantes", diz Sindika Dokolo

O empresário Sindika Dokolo, genro do chefe de Estado angolano e o seu irmão Luzolo Dokolo, foram condenados a um ano de prisão e a uma multa de 15 mil dólares, na República Democrática do Congo (RDC).

Sindika Dokolo (DW/R. Graça)

Sindika Dokolo

Sindika Dokolo responsabilizou o Presidente Joseph Kabila por esta condenação que surgiu na sequência de um processo imobiliário na RDC. A denúncia foi feita pelo empresário e colecionador de arte Sindika Dokolo, casado com a empresária angolana Isabel dos Santos, filha do Presidente José Eduardo dos Santos, na sua conta na rede social Twitter, precisamente depois de inaugurar em Luanda, nesta quarta-feira (12.07), uma nova fábrica de cimento do grupo que lidera, a Cimangola.

Os pormenores deste processo não foram revelados mas, em junho deste ano (2017), o principal rival político do Presidente congolês e ex-governador Moise Katumbi foi igualmente condenado por fraude imobiliária, pouco depois de ter anunciado a sua candidatura às eleições presidenciais no país, previstas para dezembro.

Contactado em Luanda pela secção francesa da DW África, Sindika Dokolo disse que para ele a condenação não foi uma surpresa e acusou as autoridades congolesas de terem ditado esta sentença. "A acusação não é credível até porque acusam o meu irmão de ter cometido um crime na RDC quando se sabe que ele não vai ao país há anos", defende. O empresário refere que "foi posta em marcha uma estratégia dirigida pelos serviços secretos congoleses para tentarem impedir-me de entrar na RDC. Eles têm medo que eu seja um candidato às presidenciais", mas acrescenta que "não faço política".

"É importante que o senhor Kabila se afaste do poder"

Sindika Dokolo diz que o método utilizado foi "grosseiro" e adianta que a justiça atualmente está instrumentalizada "de maneira completamente aberta e sem nenhum pudor. Isso só vem confirmar uma deriva do regime de Kinshasa que infelizmente anuncia uma radicalização da situação e uma generalização na privação da liberdade dos cidadãos", aponta.

Kongo Präsident Joseph Kabila (imago/Xinhua)

Presidente Joseph Kabila (centro)

Quando questionado sobre se realmente não tem nenhuma ambição política, Sindika Dokolo afirma que o seu sentido de responsabilidade se traduz no seguinte: "Tentar salvar o meu país da violência e da desorganização na qual está mergulhado. Acho que há muitos congoleses com esta vocação de fazer política e que têm projetos para o país. Atualmente o que me preocupa é a defesa da democracia na RDC e é esta a direção e o limite, por enquanto, do meu engajamento".

Na entrevista à DW África, o empresário congolês acusa Joseph Kabila de ser o principal responsável pela grave situação em que se encontra mergulhada a RDC porque "instrumentaliza os males da RDC e, enquanto permanecer à frente dos destinos do país, alargando o prazo do seu mandato, enfraquece o Estado e cria instabilidades que provocam sofrimento humano, violências e mortes, tanto no seu país como na desestabilização da região. Portanto, considero que é importante que o senhor Kabila se afaste do poder"

Ouvir o áudio 04:03

"Kabila utiliza a justiça para calar vozes discordantes", diz Sindika Dokolo

A aplicação do artigo 64

Sindika Dokolo conclui que o Presidente Kabila deve respeitar o prazo para a realização das eleições marcadas para finais do corrente ano sob pena de pôr em causa a legitimidade do Presidente da República. "Todas as decisões tomadas e as opções que são adotadas vêm do Presidente Kabila e não do seu campo, porque decidiu ir numa direção ao ponto de se expor um dia à justiça internacional. Não acredito que possa existir uma influência sobre ele, para além das pressões internacionais", acrescenta.

É necessário um apelo, na opinião do empresário, para que o Presidente Kabila aplique o artigo 64 que "deitará por terra a sua estratégia de tentar manter-se no poder contra a Constituição", refere à DW África Sindika Dokolo. No entanto, o colecionador de arte diz que o apelo deve estar "iminente, até ao final do ano, porque imagino que a nível da sociedade civil, mas igualmente da igreja católica, estejam prontos para dizer ao senhor Kabila que já chega e que estão contra o seu [de Joseph Kabila] projeto".

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